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Lêdo Ivo
Lêdo Ivo (1924-2012) foi um poeta, jornalista, cronista, ensaísta e romancista brasileiro. Dentre suas obras, destacam-se "Finisterra" (1972) e "Ninho de cobras" (1973).
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Frases de Lêdo Ivo
12 frases de Lêdo Ivo
"Nem sempre os grandes escritores são bons escritores."
"O poeta não deve crer nos anjos, mas nas palavras que os criam."
"A poesia é uma criação da cultura, mas esta deve permanecer invisível no poema."
"Que em seu gabninete, fala em nome do povo não sabe que a galinha nasceu antes do ovo. (soldado raso)"
"Na vida precisamos sempre usar máscaras, pois ninguém nos reconheceria se nos apresentássemos de rosto nu."
"O grande escritor não precisa ser nem muito inteligente nem muito culto. A inteligência e a cultura são contudo indispensáveis nos escritores menores."
"O meu leitor não é o que me lê. É o que me relê (caso exista). Um autor lido unicamente uma vez não tem leitores, por mais retumbante que seja o seu sucesso."
"A maioria dos biógrafos empenha-se em explicar a obra a partir da vida, quando o correto é exatamente o contrário: trata-se de explicar a vida a partir da obra."
"Acontecimento do Soneto . A doce sombra dos cancioneiros em plena juventude encontro abrigo. Estou farto do tempo, e não consigo cantar solenemente os derradeiros. . versos de minha vida, que os primeiros foram cantados já, mas sem o antigo acento de pureza ou de perigo de eternos cantos, nunca passageiros. . Sôbolos rios que cantando vão a lírica imortal do degredado que, estando em Babilônia, quer Sião, . irei, levando uma mulher comigo, e serei, mergulhado no passado, cada vez mais moderno e mais antigo. ."
"Soneto Puro . Fique o amor onde está; seu movimento nas equações marítimas se inspire para que, feito o mar, não se retire de verdes áreas de seu vão lamento. . Seja o amor como a vaga ao vago intento de ser colhida em mãos; nela se mire e, fiel ao seu fulcro, não admire as enganosas rotações do vento. . Como o centro de tudo, não se afaste da razão de si mesmo, e se contente em luzir para o lume que o ensolara. . Seja o amor como o tempo – não se gaste e, se gasto, renasça, noite clara que acolhe a treva, e é clara novamente. ."
"SONETO DOS VINTE ANOS Que o tempo passe, vendo-me ficar no lugar em que estou, sentindo a vida nascer em mim, sempre desconhecida de mim, que a procurei sem a encontrar. Passem rios, estrelas, que o passar é ficar sempre, mesmo se é esquecida a dor de ao vento vê-los na descida para a morte sem fim que os quer tragar. Que eu mesmo, sendo humano, também passe mas que não morra nunca este momento em que eu me fiz de amor e de ventura. Fez-me a vida talvez para que amasse e eu a fiz, entre o sonho e o pensamento, trazendo a aurora para a noite escura."