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Carlucho Vitaliano

Carlucho Vitaliano

19 pensamentos

Frases - Página 2

Mostrando página 2 de 2 (19 frases no total)

"Silêncio Silêncio! Silêncio para que eu possa ouvir teu coração, ouvir tua respiração, teus passos, teus sussurros. Silêncio! Silêncio para que eu possa ouvir eu engolir seco, ouvir teu estalar os dedos, teu piscar de olhos, teu bocejar. Silêncio! Silêncio para que eu possa me ouvir te ouvindo, ouvir meu pensamento em ti, minha voz interior gritando teu nome só para que eu mesmo ouça: ! e, com o gosto recente do teu beijo em minha boca, Silêncio ... e pensamento."
"Contraste No interior da casa, em meio as paredes quebradas e chão empoeirado, ainda paira a tua presença. Teus passos estão nos corredores e a cama que já não tem mais guarda o relevo do teu corpo. Quiçá cacos de copos quebrados esparramados no chão ainda tragam o batom dos teus lábios. Talvez ecoem pelos quartos tuas últimas palavras. Lá dentro, parece que o tempo parou. Lá fora, a vida continua indiferente. E, num contraste louco, tua imagem permanece num ausência constante na janela que parou o tempo de dentro."
"Bourbon Street Eu era branco e preto As pessoas eram brancas e pretas As luzes brancas, o asfalto preto O carro branco, a noite preta Tudo era branco e preto. O ambiente era branco e preto A conversa era branca e preta A cadeira era branca, a mesa preta O garçom usava camisa branca e calça preta. De repente, um drinque colorido, * extremamente colorido, inebriantemente colorido, Aquele piano de teclas brancas e pretas – ficou colorido. E a sua ausência colorida, tão insuportavelmente colorida que a minha vida ficou branca e preta."
"Fascínio Fascina-me o mar, com suas ondas naquele vai e vem insistente Lembrei-me de mim, que um dia fui. E na volta ela me esperava com um sorriso de ontem nos lábios. Como sabia do meu fascínio pelo mar achou que eu me fosse novamente sem saber que agora eu estava represado no se abraço, preso nas ondas do seu olhar. E me pediu que falasse de vida, que não sabia, mas já não era sem ela. Agora me ama em garrafas e me implora coisas que eu queria dela implorar. Ainda fascina-me o mar, mas o cais tem um sorriso de ontem nos lábios."
""Minhas Mãos Eu amo minhas mãos. Elas são feias, eu sei, mas quando penso no porque desta feiúra, elas se tornam lindas. Tenho calos nos dedos, mas são de tocar violão prá você. Tenho as unhas roídas e os dedos machucados, porque, às vezes, a sua ausência se faz tão presente, que uma saudade doída se transforma em ansiedade e eu mordo as unhas. Mas amo minhas mãos. elas me permitem acariciar seu rosto e apertar voluptuosamente o seu corpo. Me permitem segurar as suas. Me permitem tocar seus lábios levemente, quando nossos olhos pedem silêncio para falarem por nós. Olho então para as minhas mãos, e vejo meus dedos tortos de tanto escreverem versos prá você, e pensando que tudo o que elas fazem são prá você, já nem sei se amo mais minhas mãos ou você.""
"JANEIRO Enquanto esperava por ela Passavam crianças empinando pipas Homens comentando política Mulheres falando de moda Cachorros latindo Mendigos pedindo esmola Padres rezando Putas vendendo o corpo Promessas vendendo a alma. Enquanto esperava por ela Crianças viravam adultos Homens se desiludiam Mulheres dormiam maltrapilhas Cães adoeciam Mendigos morriam de fome Padres se perdiam de Deus Putas apodreciam Promessas entregavam a alma ao demônio. Enquanto esperava por ela Adultos envelheciam Homens morriam Mulheres também morriam Cães nem mais existiam Mendigos jaziam em covas rasas Padres renegavam a fé Putas se suicidavam O demônio sorria. Um dia, enfim, ela resolveu vir. Bateu a porta, mas a porta se calou. Chamou meu nome e o silêncio se fez saber. Adentrou a casa tateando o escuro e o escuro não me deu a ela. Procurou minha cama e a encontrou arrumada. Vasculhou cômodo por cômodo e, diante da inexorável ausência, atordoada, sentou-se na poltrona empoeirada e, enquanto revivia lembranças, eu vagava por onde me fora dado não ser: agora fazia parte do cosmo."