"Quero partir e encontrar-me, Quero voltar a saber de mim, Como quem volta ao lar, como quem torna a ser recebido, Como quem ainda é amado na aldeia antiga, Como quem roça pela infância morta em cada pedra de muro,"
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Álvaro de Campos
Álvaro de Campos (1890 - 1935) é um dos mais conhecidos heterônimos de Fernando Pessoa.
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Frases - Página 4
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"Não será melhor Não fazer nada? Deixar tudo ir de escantilhão pela vida abaixo Para um naufrágio sem água? (A vida social é complexa para a minha fraqueza de nervos) Estou farto de semi-deuses! Onde é que há gente no mundo?"
"Escravos cardíacos das estrelas, Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama; Mas acordamos e ele é opaco, Levantamo-nos e ele é alheio, Saímos de casa e ele é a terra inteira, Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido."
"De tão interessante que a vida é a todos os momentos, a vida chega a doer, a enjoar, a roçar, a ranger, a dar vontade de dar pulos, de ficar no chão, de sair para fora de todas as casas, de todas as lógicas, de todas as sacadas, e ir ser selvagem entre árvores e esquecimentos."
"És importante para ti, porque é a ti que te sentes. És tudo para ti, porque para ti és o universo. E o próprio universo e os outros Satélites da tua subjetividade objetiva. És importante para ti porque só tu és importante para ti. E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?"
"Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas - Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -, E quem sabe se realizáveis, Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente? O mundo é para quem nasce para o conquistar E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão."
"Ah, não estar parado nem a andar, não estar deitado nem de pé, nem acordado nem a dormir, nem aqui nem noutro ponto qualquer, resolver a equação desta inquietação prolixa, saber onde estar para poder estar em toda a parte, saber onde deitar-me para estar passeando por todas as ruas, saber onde."
"[...] Não me tragam estéticas! Não me falem em moral! Tirem-me daqui a metafísica! Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) — Das ciências, das artes, da civilização moderna! [...] [Lisbon Revisited (1923)]"
"Trago dentro do meu coração, Como num cofre que se não pode fechar de cheio, Todos os lugares onde estive, Todos os portos a que cheguei, Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias, Ou de tombadilhos, sonhando, E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero. (Heterônimo de Fernando Pessoa)"
"Há sem dúvida quem ame o infinito, Há sem dúvida quem deseje o impossível, Há sem dúvida quem não queira nada Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: Porque eu amo infinitamente o finito, Porque eu desejo impossivelmente o possível, Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, Ou até se não puder ser..."
"Sim, sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo, Espécie de acessório ou sobressalente próprio, Arredores irregulares da minha emoção sincera, Sou eu aqui em mim, sou eu. Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou. Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma. Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim."
"Começo a ler, mas cansa-me o que inda não li. Quero pensar, mas dói-me o que irei concluir. O sonho pesa-me antes de o ter. Sentir É tudo uma coisa como qualquer coisa que já vi. Não ser nada, ser uma figura de romance, Sem vida, sem morte material, uma ideia, Qualquer coisa que nada tornasse útil ou feia, Uma sombra num chão irreal, um sonho num transe."