"Trago dentro do meu coração, Como num cofre que se não pode fechar de cheio, Todos os lugares onde estive, Todos os portos a que cheguei, Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias, Ou de tombadilhos, sonhando, E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero. (Heterônimo de Fernando Pessoa)"
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Ver todas"IV Conclusão a sucata! ... Fiz o cálculo, Saiu-me certo, fui elogiado... Meu coração é um enorme estrado Onde se expõe um pequeno animálculo A microscópio de desilusões Findei, prolixo nas minúcias fúteis... Minhas conclusões Dráticas, inúteis... Minhas conclusões teóricas, confusões... Que teorias há para quem sente O cérebro quebrar-se, como um dente Dum pente de mendigo que emigrou? Fecho o caderno dos apontamentos E faço riscos moles e cinzentos Nas costas do envelope do que sou ..."
"E tudo isto, que é tanto, é pouco para o que eu quero."
"Quero partir e encontrar-me, Quero voltar a saber de mim, Como quem volta ao lar, como quem torna a ser recebido, Como quem ainda é amado na aldeia antiga, Como quem roça pela infância morta em cada pedra de muro,"
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