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Japonismo

As melhores frases e reflexões sobre Japonismo.

"Vamos botar esse bloco na rua e esticar esse cordão... Acreditar que podemos amar e puxar uma corrente de emoção... Eu quero é cair na folia, porque sou um folião... Quero é aproveitar, porque a vida não pode ser séria , não... Não sou padre nem sou freira e retiro é coisa pra budista... O meu zen é na avenida, só acaba quarta feira e eu quero é brincadeira... Sair pelas ruas puxando samba que me leve a um lugar de verdade... Que é dentro do seu coração..."
"Relíquia íntima Ilustríssimo, caro e velho amigo, Saberás que, por um motivo urgente, Na quinta-feira, nove do corrente, Preciso muito de falar contigo. E aproveitando o portador te digo, Que nessa ocasião terás presente, A esperada gravura de patente Em que o Dante regressa do Inimigo. Manda-me pois dizer pelo bombeiro Se às três e meia te acharás postado Junto à porta do Garnier livreiro: Senão, escolhe outro lugar azado; Mas dá logo a resposta ao mensageiro, E continua a crer no teu Machado."
"Sonho Oriental Sonho-me ás vezes rei, n'alguma ilha, Muito longe, nos mares do Oriente, Onde a noite é balsamica e fulgente E a lua cheia sobre as aguas brilha... O aroma da magnolia e da baunilha Paira no ar diaphano e dormente... Lambe a orla dos bosques, vagamente, O mar com finas ondas de escumilha... E emquanto eu na varanda de marfim Me encosto, absorto n'um scismar sem fim, Tu, meu amor, divagas ao luar, Do profundo jardim pelas clareiras, Ou descanças debaixo das palmeiras, Tendo aos pés um leão familiar."
"E uma compulsão horrível de quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer. Destruir antes que cresça. Com requintes, com sofreguidão, com textos que me vêm prontos e faces que se sobrepõem às outras. Para que não me firam, minto. E tomo a providência cuidadosa de eu mesmo me ferir, sem prestar atenção se estou ferindo o outro também. Não queria fazer mal a você. Não queria que você chorasse. Não queria cobrar absolutamente nada. Por que o Zen de repente escapa e se transforma em Sem? Sem que se consiga controlar."
"Limite Branco É muito confortável bancar o infeliz e angustiado quando se vive num bom apartamento, quando se tem um copo de leite quente toda noite antes de dormir, uma mesada no fim do mês e uma mãe que basta estalar os dedos para dobrar-se a meus pés como uma escrava oriental. Ter demais é o meu mal. Se tivesse que batucar numa máquina de escrever todos os dias num escritório cheio de gente preocupada demais consigo mesma para dar atenção aos meus problemas, e tivesse que andar em ônibus superlotados, usar roupas velhas e sapatos furados, então poderia saber se existe ou não essa força que em vão tento encontrar em meu corpo."
"Um guerreiro samurai, conta uma velha história japonesa, certa vez desafiou um mestre Zen a explicar o conceito de céu e inferno. Mas o monge respondeu-lhe com desprezo: – Não passas de um rústico… não vou desperdiçar meu tempo com gente da tua laia! Atacado na própria honra, o samurai teve um acesso de fúria e, sacando a espada da bainha, berrou: – Eu poderia te matar por tua impertinência. – Isso – respondeu calmamente o monge – é o inferno. Espantado por reconhecer como verdadeiro o que o mestre dizia acerca da cólera que o dominara, o samurai acalmou-se, embainhou a espada e fez uma mesura, agradecendo ao monge a revelação. – E isso – disse o monge – é o céu."
"Por Dentro Não era nada com você. Ou quase nada. Estou tão desintegrado. Atravessei o resto da noite encarando minha desintegração. Joguei sobre você tantos medos, tanta coisa travada, tanto medo de rejeição, tanta dor. Difícil explicar. Muitas coisas duras por dentro. Farpas. Uma pressa, uma urgência. E uma compulsão horrível de quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer. Destruir antes que cresça. Com requintes, com sofreguidão, com textos que me vêm prontos e faces que se sobrepõem às outras. Para que não me firam, minto. E tomo a providência cuidadosa de eu mesmo me ferir, sem prestar atenção se estou ferindo o outro também. Não queria fazer mal a você. Não queria que você chorasse. Não queria cobrar absolutamente nada. Por que o Zen de repente escapa e se transforma em Sem? Sem que se consiga controlar."
""Sem platonismos, nem zen-budismos: quero que pinte o amor Bethânia, dançar de rosto colado, pegar na mão à meia-luz, desenhar com a ponta dos dedos cada um dos teus traços, ficar de olho molhado só de te ver, de repente e, se for preciso, também virar a mesa, dar tapa na cara, escândalo na esquina, encher a cara de gim, te expulsar de casa e te pedir pra voltar. Ando tomado por emoções-Behtânia. Essas que estão morrendo à míngua, porque não é moderno ter emoções. Não é in sentir amor, envolver-se. Ficou out dizer coisas como "quero ficar com você e é tão fundo que eu posso dizer que o fim do mundo não vai chegar mais" ou "quando os caminhos se separam; não tem razão que dê mais jeito" ou "é tão difícil ficar sem você; o teu amor é gostoso demais". É burro cantar coisas que eu, tu, ele, nós sentimos? É brega ter desejos e carências e dores e suspiros assim, de gente? Sentir não é brega. Ao contrário: não existe nada mais chique. Emocione-se e seja o rei da sua insensatez. Bem, é só. Aceite um milhão de beijos. Abraços em todos daí.""
""SUPERMENCADO" Ainda ficou um pouco de teu cabelo no travesseiro de teu corpo no meu corpo de teu cheiro um pouco da tua colônia em alguns vestidos meus ficou no meu cotidiano um gosto bobo de adeus. Ficou um resto de shampoo no teu frasco no banheiro de tudo ficou um pouco de teu jeito, de teu cheiro. Ficaram umas coisas tuas espalhadas pelo quarto. Ficou teu riso marcado na moldura no retrato. Em tudo ficou um pouco. Ficou nosso jogo de damas (eu branco, você preto) intacto no sofá-cama. Alguns discos teus, alguns livros na parede atrás da porta a gravura de Dalí e tua natureza morta. Um pouco de teu silêncio se espalhou pela casa tua xícara de porcelana verde e branca, sem a asa. De você ficou um pouco do trem daquela viagem do nosso jantar chinês da nossa camaradagem. Ainda ficou tua letra em alguns papéis amassados. Em tudo ficou um pouco na rua, no supermencado. Ficou um pouco de você no mar, no rio, na serra na estrada da casa de campo na pedra, no gato, na terra. Ficou um pouco do teu rosto no rosto dos meus amigos ficaram palavras tuas em tudo aquilo que digo. Eu fiquei com o teu jeito de querer falar primeiro teu corpo no meu corpo cabelo no travesseiro."
"Eu apresento a página branca. Contra: Burocratas travestidos de poetas Sem-graças travestidos de sérios Anões travestidos de crianças Complacentes travestidos de justos Jingles travestidos de rock Estórias travestidas de cinema Chatos travestidos de coitados Passivos travestidos de pacatos Medo travestido de senso Censores travestidos de sensores Palavras travestidas de sentido Palavras caladas travestidas de silêncio Obscuros travestidos de complexos Bois travestidos de touros Fraquezas travestidas de virtudes Bagaços travestidos de polpa Bagos travestidos de cérebros Celas travestidas de lares Paisanas travestidos de drogados Lobos travestidos de cordeiros Pedantes travestidos de cultos Egos travestidos de eros Lerdos travestidos de zen Burrice travestida de citações água travestida de chuva aquário travestido de tevê água travestida de vinho água solta apagando o afago do fogo água mole sem pedra dura água parada onde estagnam os impulsos água que turva as lentes e enferruja as lâminas água morna do bom gosto, do bom senso e das boas intenções insípida, amorfa, inodora, incolor água que o comerciante esperto coloca na garrafa para diluir o whisky água onde não há seca água onde não há sede água em abundância água em excesso água em palavras. Eu apresento a página branca. A árvore sem sementes. O vidro sem nada na frente. Contra a água."
"O vaso de porcelana e a rosa O Grande Mestre e o Guardião dividiam a administração de um mosteiro zen. Certo dia, o Guardião morreu e foi preciso substituí-lo. O Grande Mestre reuniu todos os discípulos para escolher quem teria a honra de trabalhar diretamente ao seu lado. -Vou apresentar um problema – disse o Grande Mestre. – E aquele que o resolver primeiro, será o novo Guardião do templo. Terminado o seu curtíssimo discurso, colocou um banquinho no centro da sala. Em cima estava um vaso de porcelana caríssimo, com uma rosa vermelha a enfeitá-lo. -Eis o problema – disse o Grande Mestre. Os discípulos contemplavam, perplexos, o que viam: os desenhos sofisticados e raros da porcelana, a frescura e a elegância da flor. O que representava aquilo? O que fazer? Qual seria o enigma? Depois de alguns minutos, um dos discípulos levantou-se, olhou o mestre e os alunos a sua volta. Depois, caminhou resolutamente até o vaso, e atirou-o no chão, destruíndo-o. -Você é o novo Guardião – disse o Grande Mestre para o aluno. Assim que ele voltou ao seu lugar, explicou: -Eu fui bem claro: disse que vocês estavam diante de um problema. Não importa quão belo e fascinante seja, um problema tem que ser eliminado. “Um problema é um problema; pode ser um vaso de porcelana muito raro, um lindo amor que já não faz mais sentido, um caminho que precisa ser abandonado – mas que insistimos em percorrê-lo porque nos traz conforto”. “Só existe uma maneira de lidar com um problema: atacando-o de frente”. Nessas horas, não se pode ter piedade, nem ser tentado pelo lado fascinante que qualquer conflito carrega consigo”."
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