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Burocracia

As melhores frases e reflexões sobre Burocracia.

"O Homem Escrito Ainda está vivo ou virou peça de arquivo sua vida é papel a fingir de jornal? Dele faz-se bom uso seu texto é confuso? Numa velha gaveta o esquecem, a caneta? Após tantos escapes arredonda-se em lápis? Essa indelével tinta é para que não minta mas do que o necessário é uma sigla no armário? Recobre-se de letras ou são apenas tretas? Entrará em catálogo a custa de monólogo? Terá número, barra e borra de carimbo? Afinal, ele é gente ou registro pungente?"
"Querido Papai Noel, eu não acredito em você e nem em homem nenhum. Mas, caso você exista, por favor, não me mande nenhum boneco de madeira com o coração de plástico! Tô cansada desses, já tive vários e todos dão problema, acabam quebrando meu coração quando descubro que o deles é feito de um material vagabundo. Se possível me mande um de carne e osso, com o coração quentinho, com o carimbo do Inmetro só pra garantir, e com um recibo de troca caso haja algum defeito. Obrigada."
"Poética Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com o livro do ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário de cunho vernáculo de um vocábulo Abaixo os puristas Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbados O lirismo difícil e pungente dos bêbados O lirismo dos clows de Shakespeare -Não quero mais saber do lirismo que [não é libertação."
"HOJE O que menos quero pro meu dia polidez,boas maneiras. Por certo, um Professor de Etiquetas não presenciou o ato em que fui concebido. Quando nasci, nasci nu, ignaro da colocação correta dos dois pontos, do ponto e vírgula, e, principalmente, das reticências. (Como toda gente, aliás...) Hoje só quero ritmo. Ritmo no falado e no escrito. Ritmo, veio-central da mina. Ritmo, espinha-dorsal do corpo e da mente. Ritmo na espiral da fala e do poema. Não está prevista a emissão de nenhuma “Ordem do dia”. Está prescrito o protocolo da diplomacia. AGITPROP – Agitação e propaganda: Ritmo é o que mais quero pro meu dia-a-dia. Ápice do ápice. Alguém acha que ritmo jorra fácil, pronto rebento do espontaneísmo? Meu ritmo só é ritmo quando temperado com ironia. Respingos de modernidade tardia? E os pingos d’água dão saltos bruscos do cano da torneira e passam de um ritmo regular para uma turbulência aleatória. Hoje..."
"Lições Práticas Socialismo: Você tem 2 vacas. O governo toma uma e dá para seu vizinho, que não tinha nenhuma. Comunismo: Você tem 2 vacas. O governo toma as 2 e dá a você um pouco de leite diariamente. Fascismo: Você tem 2 vacas. O governo toma as 2 e vende a você o leite. Nazismo Você tem 2 vacas. O governo mata você e toma as 2 vacas. Burocracia de Estado: Você tem 2 vacas. O governo toma as 2, mata uma e joga o leite da outra fora. Democracia: Você tem 2 vacas, vende as 2 para o governo, muda de cidade e consegue um emprego público. Anarquismo: Você tem 2 vacas, mata as duas e faz um churrasco. Capitalismo Selvagem: Você tem 2 vacas. Vende uma, compra um touro e o governo toma os bezerros como imposto de renda na fonte. Neoliberalismo: Você tem 2 vacas. O governo se apropria das duas, se endivida e as vende baratinho para os gringos, devolvendo a dívida para você. E você ainda paga um absurdo pelo leite que era seu."
"Poética Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto espediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor. Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo. Abaixo os puristas. Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis Estou farto do lirismo namorador Político Raquítico Sifilítico De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo. De resto não é lirismo Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar & agraves mulheres, etc. Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbados O lirismo difícil e pungente dos bêbados O lirismo dos clowns de Shakespeare. - Não quero saber do lirismo que não é libertação."
"Serradura A minha vida sentou-se E não há quem a levante, Que desde o Poente ao Levante A minha vida fartou-se. E ei-la, a mona, lá está, Estendida, a perna traçada, No indindável sofá Da minha Alma estofada. Pois é assim: a minha Alma Outrora a sonhar de Rússias, Espapaçou-se de calma, E hoje sonha só pelúcias. Vai aos Cafés, pede um bock, Lê o <<Matin>> de castigo, E não há nenhum remoque Que a regresse ao Oiro antigo: Dentro de mim é um fardo Que não pesa, mas que maça: O zumbido dum moscardo, Ou comichão que não passa. Folhetim da <<Capital>> Pelo nosso Júlio Dantas --- Ou qualquer coisa entre tantas Duma antipatia igual... O raio já bebe vinho, Coisa que nunca fazia, E fuma o seu cigarrinho Em plena burocracia!... Qualquer dia, pela certa, Quando eu mal me precate, É capaz dum disparate, Se encontra a porta aberta... Isto assim não pode ser... Mas como achar um remédio? --- Pra acabar este intermédio Lembrei-me de endoidecer: O que era fácil --- partindo Os móveis do meu hotel, Ou para a rua saindo De barrete de papel A gritar <<Viva a Alemanha>>... Mas a minha Alma, em verdade, Não merece tal façanha, Tal prova de lealdade... Vou deixá-la --- decidido --- No lavabo dum Café, Como um anel esquecido. É um fim mais raffiné."
"Amizade e oportunidade! O sentido de amizade hoje em dia é um assunto que vale a pena ser questionado. Não vou dizer que antigamente tudo era diferente. Vez por outra escutamos as pessoas comentarem: “Porque antes era melhor...” O que eu discordo em diversos aspectos! A nem tudo se aplica essa regra. Em todos os tempos existiram bons e maus amigos, de todos os tipos e sob todas as circunstâncias. Mas como o passado leva consigo suas divagações, trago à atualidade o que é ser amigo nesses tempos de ascensão do mundo virtual. Cresci ouvindo frases como: “Não basta ser amigo, tem que participar”. Estive durante a infância rodeada de colegas , na fase mais sublime e inocente das amizades. Aquela que nada pede em troca, aquela que se dá sem limites. Quando criança o sentido de amizade é sincero. Não existe preconceito, ninguém se importa em saber dos precedentes de ninguém, nem se há vantagem, seja o que for. Apenas se é amigo. Para brincar, para estudar, para ouvir e também falar. Tudo ocorre naturalmente. Então o tempo passa e as coisas mudam. Há quem culpe o tempo. Nada muda por causa do tempo, na verdade ele ajuda a enxergarmos melhor. A mudança vem da gente. Portanto, assuma sua responsabilidade. Depois de alguns anos o que acontece é que amizade passa a depender de muitos fatores. Não mais nos doamos. Fazemos uma seleção para admissão de nossas amizades. O que não parece ruim, afinal, confiar é algo que está cada vez mais difícil. Mas voltando à seleção, tratamos de avaliar as vantagens e as desvantagens, olhamos aqui, ali, meio de lado. Pensamos mais um pouco. Repensamos. E finalmente damos o veredicto. Está escolhido o amigo. Um processo válido, afinal, nada é desperdício. A grande questão nisso tudo é o tempo. Novamente falo dele. Se amizade é um sentimento importante, todo esse protocolo acaba nos privando de experimentar o doce sabor que só os amigos conhecem. Perdemos a oportunidade de viver mais tempo imersos na tranqüilidade que um ombro amigo nos traz. Levamos muito tempo avaliando. Então, continue sendo criterioso, mas seja prático. Consulte o sentimento, um processo bem menos burocrático. É rápido, não erra e faz valer a pena, mesmo que o outro não esteja sintonizado com você. E se não estiver, é só partir pra outro, tem muita gente por aí em busca de um bom e fiel amigo."
"É por ter Espírito que me AborreçoÉ preciso esconjurar, da forma que nos for possível, este diabo de vida que não sei porque é que nos foi dada e que se torna tão facilmente amarga se não opusermos ao tédio e aos aborrecimentos uma vontade de ferro. É preciso, numa palavra, agitar este corpo e este espírito que se delapidam um ao outro na estagnação e numa indolência que se confunde com um torpor. É preciso passar, necessariamente, do descanso ao trabalho - e reciprocamente: só assim estes parecerão, ao mesmo tempo, agradáveis e salutares. Um desgraçado que trabalhe sem cessar, sob o peso de tarefas inadiáveis, deve ser, sem dúvida, extremamente infeliz, mas um indivíduo que não faça mais do que divertir-se não encontrará nas suas distracções nem prazer nem tranquilidade; sente que luta contra o tédio e que este o prende pelos cabelos - como se fosse um fantasma que se colocasse sempre por detrás de cada distracção e espreitasse por cima do nosso ombro. Não julgue, cara amiga, que eu só porque trabalho regularmente estou isento das investidas deste terrível inimigo; penso que, quando se tem uma certa disposição de espírito, é preciso termos uma imensa energia de forma a não nos deixarmos absorver e conseguir escapar, graças à nossa força de vontade, à melancolia em que caímos continuamente. O prazer que sinto, neste momento, em dialogar consigo acerca deste sentimento é mais uma prova de como eu me procuro agarrar, avidamente, sempre que tenho forças para isso, a todas as oportunidades para ocupar o espírito (ainda que seja referindo-me a este tédio, que procuro combater). Sempre pensei que havia tempo a mais. Atribuo em grande parte este sentimento ao prazer que quase sempre encontrei no próprio trabalho: os verdadeiros ou pretensos prazeres que se lhe sucediam não contrastavam talvez muito com a fadiga que me comunicava o trabalho - fadiga que a maior parte dos homens sente duramente. Não tenho dificuldade em imaginar o prazer que deve sentir nas suas horas de repouso essa multidão de homens que vemos vergados sob trabalhos desencorajadores - e não me refiro apenas aos pobres, que têm de ganhar o seu pão quotidiano, mas também aos advogados, aos funcionários, submersos pela papelada e ocupados com encargos fastidiosos ou que não lhe dizem respeito. No entanto, também é verdade que a maior parte desses indivíduos não têm problemas com a imaginação e vêem nas suas ocupações maquinais uma maneira como qualquer outra de ocupar o tempo. E serão tanto menos infelizes quanto mais medíocres forem. Para me consolar, termino com este último axioma: que é por ter espírito que me aborreço."