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Brasiliense

As melhores frases e reflexões sobre Brasiliense.

"A UM GATO Não são mais silenciosos os espelhos Nem mais furtiva a aurora aventureira; Tu és, sob a lua, essa pantera que divisam ao longe nossos olhos. Por obra indecifrável de um decreto Divino, buscamos-te inutilmente; Mais remoto que o Ganges e o poente, É tua a solidão, teu o segredo. O teu dorso condescende à morosa Carícia da minha mão. Sem um ruído Da eternidade que ora é olvido. Aceitaste o amor desta mão receosa. Em outro tempo estás. Tu és o dono de um espaço cerrado como um sonho."
"ESTOU DE VIAGEM O vento sopra, O horizonte avança, A imaginação brota, Um sonho alcança. Cada canto Uma nova cidade, Um ar de encanto, De felicidade. Lugares acanhados, Tamanha simplicidade, Outros avançados, De prosperidade. Um verde esquisito, Relevo acidentado, Galhos retorcidos, Estou no cerrado. Carros que se cruzam, Pessoas que passam, Famílias que se mudam, Viajantes que se afastam. Estrada sinuosa, Subindo e descendo, Curvas perigosas, Ora dormindo ora atento. Eu prossigo a andar Contemplando a imagem, Não posso parar, Estou de viagem. E a temperatura Esquenta o carro, É sol e chuva, Poeira e barro. O sol no caminho, Amigo verdadeiro, Não estou tão sozinho, É o meu companheiro. Mas chega a hora De ele se esconder, Tem que ir embora, Té ao amanhecer, Não estou preocupado, A viagem continua, Olhando ao lado Eu vejo a lua. Na solidão da noite Recordações precisamos contê-las, Na claridade dos pensamentos, Sobre a luz das estrelas Passo a passo Avanço nos pensamentos, No tempo e espaço, Aproveitando os momentos. Eu prossigo a andar Contemplando a imagem, Não posso parar, Estou de viagem."
"Infeliz! Não és um tolo? Não te enganas a ti mesmo? Porque te entregas a esta paixão desenfreada, interminável? Todas as minhas preces dirigem-se a ela; na minha imaginação não há outra figura senão a dela, e tudo que me cerca somente têm sentido quando relacionado a ela. E isso me proporciona algumas horas de felicidade – até o momento em que novamente preciso separar-me dela! Ah, Wilhelm!, quantas coisas o meu coração desejaria fazer! Depois de estar junto dela duas ou três horas, deliciando-me com sua presença, suas maneiras, a expressão celestial de suas palavras, e todos os meus sentidos pouco a pouco se tornaram tensos, de repente uma sombra turva meus olhos, mal consigo ouvir, sinto-me sufocado, como se estivesse sendo estrangulado por um assassino, meu coração bate estouvadamente, procurando acalmar os meus sentidos atormentados, mas conseguindo apenas aumentar a perturbação – Wilhelm, muitas vezes nem sei se ainda estou nesse mundo! E em outros momentos - quando a tristeza não me subjulga e Carlota me concede o pequeno conforto de dar livre curso as minhas mágoas, derramando lágrimas abundantes sobre suas mãos – tenho necessidade de afastar-me, de ir para longe, e então me ponho a errar pelos campos. Nessas horas, sinto prazer em escalar uma montanha íngreme, em abrir caminho num bosque cerrado, passando por arbustros que me ferem, por espinhos que me dilaceram a pele! Sinto-me um pouco melhor então. Um pouco! E quando então, cansado e sedento, às vezes fico prostrado no caminho, no meio da noite, a lua cheia brilhando sobre minha cabeça, quando na solidão do bosque busco repouso no tronco retorcido de uma árvore, para aliviar meus pés doloridos, e então adormeço, na meia-luz, mergulhando num sono inquieto – Ah, Wilhelm!, nessas horas de solidão de uma cela, o cilício e o cíngulo de espinhos seriam um bálsamo para minha alma sequiosa! Adeus! Somente o túmulo poderá libertar-me desses tormentos."