"XLVIII Dois amantes ditosos fazem um só pão, uma só gota de lua na erva, deixam andando duas sombras que se reúnem, deixam um só sol vazio numa cama. De todas as verdades escolheram o dia: não se ataram com fios senão com um aroma, e não despedaçaram a paz nem as palavras. A ventura é uma torre transparente. O ar, o vinho vão com os dois amantes, a noite lhes oferta suas ditosas pétalas, tem direito a todos os cravos. Dois amantes felizes não tem fim nem morte, nascem e morrem muitas vezes enquanto vivem, tem da natureza a eternidade."
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Ver todas"Virás comigo, disse sem que ninguém soubesse onde e como pulsava meu estado doloroso, e para mim não havia cravo nem barcarola, nada senão uma ferida pelo amor aberta. Repeti: vem comigo, como se morresse, e ninguém viu em minha boca a lua que sangrava, ninguém viu aquele sangue que subia ao silêncio. Oh, amor, agora esqueçamos a estrela com pontas! Por isso quando ouvi que tua voz repetia "Virás comigo", foi como se desatasses dor, amor, a fúria do vinho encarcerado que da sua cantina submergida soubesse e outra vez em minha boca senti um sabor de chama, de sangue e cravos, de pedra e queimadura."
"Ir levando no caminho os amores perdidos e os sonhos idos e os fatais sinais do olvido. Ir seguindo na dúvida das horas apagadas, pensando que todas as coisas se tornaram amargas para alongarmos mais a via dolorosa."
"O homem gostaria de ser peixe ou pássaro, a serpente gostaria de ter asas, o cão é um leão confuso (...) mas o gato quer ser somente gato, e todo gato é um puro gato desde o bigode ao rabo."
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