"Crepúsculo Teus olhos, borboletas de ouro, ardentes Borboletas de sol, de asas magoadas, Pousam nos meus, suaves e cansadas Como em dois lírios roxos e dolentes… E os lírios fecham… Meu amor não sentes? Minha boca tem rosas desmaiadas, E a minhas pobres mãos são maceradas Como vagas saudades de doentes… O silêncio abre as mãos… entorna rosas… Andam no ar carícias vaporosas Como pálidas sedas, arrastando… E a tua boca rubra ao pé da minha É na suavidade da tardinha. Um coração ardente palpitando…"
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Ver todas"VERSOS Versos! Versos! Sei lá o que são versos… Pedaços de sorriso, branca espuma, Gargalhadas de luz. cantos dispersos, Ou pétalas que caem uma a uma. Versos!… Sei lá! Um verso é teu olhar, Um verso é teu sorriso e os de Dante Eram o seu amor a soluçar Aos pés da sua estremecida amante! Meus versos!… Sei eu lá também que são… Sei lá! Sei lá!… Meu pobre coração Partido em mil pedaços são talvez… Versos! Versos! Sei lá o que são versos.. Meus soluços de dor que andam dispersos Por este grande amor em que não crês!…"
"Eu quero amar, amar perdidamente. Amar só por amar."
"DIZERES ÍNTIMOS É tão triste morrer na minha idade! E vou ver os meus olhos, penitentes Vestidinhos de roxo, como crentes Do soturno convento da Saudade! E logo vou olhar (com que ansiedade! ... ) As minhas mãos esguias, languescentes, De brancos dedos, uns bebés doentes Que hão-de morrer em plena mocidade! E ser-se novo é ter-se o Paraíso, É ter-se a estrada larga, ao sol, florida, Aonde tudo é luz e graça e riso! E os meus vinte e três anos... (Sou tão nova! ) Dizem baixinho a rir: “Que linda a vida! ... ” Responde a minha Dor: “Que linda a cova! ... ”"
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