Voltar para o início

Temas Relacionados

Mais de Gabriel Chalita

Ver todas

"JOVEM EMPREENDEDOR A juventude traz consigo uma rebeldia natural. Uma força de espírito que se caracteriza pelo inconformismo e pela contestação das tradições que não condizem com as exigências dos novos tempos. Muitas vezes, o coro da platéia social acusa o jovem de inconstante e alienado, e até de irresponsável. Talvez por esse motivo, convencionou-se dizer que "jovem é um problema". Mas trata-se de afirmação já rebatida pela História, edificada também por numerosos heróis e heroínas que registraram feitos em tenra idade. Protagonistas que colaboraram para fazer do mundo lugar mais propício ao idealismo ao empreendimento de processos capazes de quebrar paradigmas, mudar rotas equivocadas, converter expectativas pessimistas em realizações bem-sucedidas. Jovem não constitui problema e, sim, solução! Basta instigá-lo a produzir, dando espaço para que seus sonhos tenham vez na atmosfera geralmente restrita e repressiva que paira sobre corações e mentes dos que perderam os positivos ímpetos juvenis. São fartos os exemplos de jovens que mudaram a História antes mesmo de completarem 20 anos. É o caso de Joana D'Arc e de Alexandre da Macedônia. Ela estimulava com belíssimos discursos os seus patrícios à realização dos sonhos. Ele foi estrategista e líder indispensável à conquista de boa parte da Europa e do Oriente antigos. Em outros tempos e frentes, jovens brasileiros subiram aos palcos da vida para mostrar novos conceitos artísticos e a força criativa da cultura verde-amarela. Foi assim na Semana de 22, evento divisor de águas no cenário nacional graças à atuação inovadora do grupo composto de jovens como Sérgio Milliet, Guiomar Novaes, Heitor Villa-Lobos, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Anita Malfatti, entre outros. Impacto semelhante também pôde ser sentido na década de 60 com precoces arrebatadores como Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa. Libertários que cantavam e compunham as trilhas sonoras da renovação. Eram os representantes da rebeldia do bem. E há aquele jovem em especial, cujo carisma, inteligência e altruísmo lançaram luzes sobre uma nova forma de ver e de vivenciar o amor entre as pessoas. Morto aos 33 anos, Jesus Cristo nos ensinou, sobretudo, a importância da solidariedade, da fraternidade e da justiça. Jovens são empreendedores. Mulheres e homens que ousam e que deixam marcas. As marcas do verdadeiro talento que nem sempre exige longos períodos para ser manifestado. Caso contrário, não teríamos Clarice Lispector escrevendo Perto do coração selvagem, aos 17 anos. Ou Rachel de Queiroz redigindo O quinze, sob a precária luz das lamparinas, aos 19. Em todos os campos do conhecimento, a criatividade do jovem é indispensável para que o novo aconteça. Nesse sentido, empresas e organizações que não dão espaço ao olhar fremente dos jovens felinos que saem pela primeira vez da caverna - como poetizava Mário Quintana - erram duas vezes. Primeiro, porque demonstram falta de generosidade, e não estão abertas para ensinar novos navegadores a conduzir a nau. Segundo, porque correm o risco de envelhecer, embotadas em padrões que se esgotam por escassez de ousadia, da paixão, e do olhar de entusiasmo dos errantes marinheiros de primeira viagem. É preciso fazer a apologia do erro. Da contribuição fantástica, mágica de todos os erros - como dizia Oswald de Andrade. Quem não erra não aprende. Não faz. Entre a omissão dos que enterram os talentos e a audácia bem-vinda dos que se lançam a multiplicá-los, fiquemos com o legado dos audaciosos. Esses, sim, são empreendedores que dão início ao esboço de um futuro de traços dinâmicos e belos. Que o Brasil, jovem país, dê espaço a esses gigantes em potencial. E que eles possam perceber sua importância e sua responsabilidade. Até porque o futuro começa a ser desenhado agora. Futuro que é obra de fôlego assinada, sem sombra de dúvida, pela potencialidade da juventude. Publicado no jornal Vale Paraibano"

"Pessoas mais do que especiais O filme Meu Pé Esquerdo, de 1989, retratou magistralmente a infância e a adolescência do jovem Christy Brown, talentoso e perseverante artista irlandês, portador de paralisia cerebral. Em decorrência da doença, a única parte do corpo que ele podia controlar com precisão era, justamente, o seu pé esquerdo. Com uma interpretação magnífica de Daniel Day-Lewis - vencedor do Oscar de melhor ator pela sua atuação como Brown - a trama conseguiu adentrar no universo grandioso desse homem brilhante que se tornou pintor, escritor e poeta de sucesso, a despeito de suas limitações motoras e de sua origem humilde. Exemplos como esse não são raros, mas, infelizmente, nem todos rendem filmes, documentários, reportagens e outras formas de divulgação de massa. No Brasil e no mundo, milhões de portadores de necessidades especiais constantemente nos surpreendem com seu talento, sua criatividade e sua determinação em superar obstáculos de graus e naturezas as mais diversas, conquistando o sucesso, o respeito e a admiração de todos. No esporte, nas artes e nas mais variadas áreas de atuação, temos representantes dessa comunidade especial que, de acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde, somam 10% da população do globo. Desde sempre, seus representantes fizeram história ao provar ao mundo sua competência e imensa capacidade. Basta lembrarmos do gênio da música clássica Ludwig van Beethoven que, mesmo perdendo gradualmente sua acuidade auditiva até a surdez, prosseguiu sua bem-sucedida carreira como compositor, deixando uma obra grandiosa, em todos os sentidos. Atualmente, temos no cenário mais popular, exemplos como o de Ray Charles e Steve Wonder, compositores e intérpretes que superaram a ausência total de visão e tornaram-se astros da música devido a uma mistura imbatível de talento, garra e sensibilidade. No Brasil, um dos mais conhecidos fenômenos de expressão artística ocorreu no século XVIII, época que teve o privilégio de ver nascer o escultor Antonio Francisco Lisboa. O artista - expoente maior do barraco mineiro - foi acometido, aos 47 anos, por uma doença que o privou de grande parte de seus movimentos, deformando-lhe os pés e as mãos. O fato serviu como inspiração para que o povo criasse o triste apelido com que Lisboa passou à história: Aleijadinho. Hoje, se pensarmos no contingente habitacional do Planeta Terra, calculado em 6 bilhões de habitantes, temos então 10% dessa população caracterizada como portadora de algum tipo de necessidade especial. São cidadãos que, como todos os outros, merecem respeito e igualdade de oportunidades. No Brasil, a Constituição Federal, em seu capítulo I - que discorre sobre os direitos e deveres individuais e coletivos - mais precisamente no artigo 5º, determina: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (...)". Nesse sentido, cabe à sociedade civil organizada, por meio de suas instituições nas esferas municipal, estadual e federal, bem como as demais entidades representativas que a compõem, trabalhar para fazer valer essa garantia constitucional e que é, também, um direito universal das pessoas. Um direito que deve começar a vigorar no momento de seu nascimento e prosseguir por toda a sua vida, com ênfase ainda mais especial durante a infância - período em que somos mais vulneráveis. Por isso, é nosso dever proporcionar às crianças as condições necessárias ao seu pleno desenvolvimento físico, emocional e intelectual - sejam elas portadoras de necessidades especiais ou não. Essa filosofia pauta nosso trabalho na Secretaria de Estado da Educação e nos faz buscar e/ou criar mecanismos que possibilitem sua execução. Um exemplo disso é o Centro de Apoio Pedagógico Especial (Cape), inaugurado em novembro do ano passado. O Centro, que gerencia as ações especiais da Secretaria Estadual de Educação, realiza o treinamento e a capacitação dos professores da rede para o atendimento ao aluno portador de necessidades educacionais especiais e a produção de material didático-pedagógico para esses estudantes. As atividades do Centro se concentram em três eixos principais: pesquisa, produção de recursos e formação continuada dos professores da rede. O objetivo principal do Cape é proporcionar a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais no ensino regular. A igualdade de condições começa no próprio prédio do Centro, que foi completamente reformado para garantir a acessibilidade aos portadores de necessidades especiais. Temos certeza de que ações dessa natureza capacitam as novas gerações, a partir do momento em que ajudam a desenvolver, hoje, o seu enorme potencial. A humanidade, sem dúvida, agradecerá a colaboração desses novos artesãos da vida. Pessoas que, freqüentemente, ignoram todos os tipos de limitações e moldam com maestria suas próprias vitórias e conquistas. Publicado no Correio Popular"

"Falta um sonho de vida e sobram angústias pelas ausências desse sonho."

Autores Populares

Em busca de mais sabedoria?