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"mor, eu me lembro ainda Que era linda, muito linda Um céu azul de organdi A camisola do dia Tão transparente e macia Que eu dei de presente a ti Tinha rendas de Sevilha A pequena maravilha Que o teu corpinho abrigava E eu, eu era o dono de tudo Do divino conteúdo Que a camisola ocultava A camisola que um dia Guardou a minha alegria Desbotou, perdeu a cor Abandonada no leito Que nunca mais foi desfeito Pelas vigílias de amor"

"Almanaque Chico Buarque Ô menina vai ver nesse almanaque como é que isso tudo começou Diz quem é que marcava o tique-taque e a ampulheta do tempo disparou Se mamava de sabe lá que teta o primeiro bezerro que berrou Me responde, por favor Pra onde vai o meu amor Quando o amor acaba Quem penava no sol a vida inteira, como é que a moleira não rachou Quem tapava esse sol com a peneira e quem foi que a peneira esfuracou Quem pintou a bandeira brasileira que tinha tanto lápis de cor Me responde por favor Pra onde vai o meu amor Quando o amor acaba Diz quem foi que fez o primeiro teto que o projeto não desmoronou Quem foi esse pedreiro, esse arquiteto, e o valente primeiro morador Diz quem foi que inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor Me responde por favor Pra onde vai o meu amor Quando o amor acaba Quem é que sabe o signo do capeta, o ascendente de Deus Nosso Senhor Quem não fez a patente da espoleta explodir na gaveta do inventor Quem tava no volante do planeta que o meu continente capotou Me responde por favor Pra onde vai o meu amor Quando o amor acaba Vê se tem no almanaque, essa menina, como é que termina um grande amor Se adianta tomar uma aspirina ou se bate na quina aquela dor Se é chover o ano inteiro chuva fina ou se é como cair o elevador Me responde por favor Pra que tudo começou Quando tudo acaba"

"Só peço a você um favor Se puder Não me esqueça num canto qualquer."

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