"Vítima do dualismo Ser miserável dentre os miseráveis — Carrego em minhas células sombrias Antagonismos irreconciliáveis E as mais opostas idiosincrasias! Muito mais cedo do que o imagináveis Eis-vos, minha alma, enfim, dada às bravias Cóleras dos dualismos implacáveis E à gula negra das antinomias! Psiquê biforme, o Céu e o Inferno absorvo... Criação a um tempo escura e cor-de-rosa, Feita dos mais variáveis elementos, Ceva-se em minha carne, como um corvo, A simultaneidade ultramonstruosa De todos os contrastes famulentos!"
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Ver todas"Ambiciono que o idioma em que eu te falo Possam todas as línguas decliná-lo Possam todos os homens compreendê-lo."
"Sonetos I A meu pai doente Para onde fores, Pai, para onde fores, Irei também, trilhando as mesmas ruas... Tu, para amenizar as dores tuas, Eu, para amenizar as minhas dores! Que coisa triste! O campo tão sem flores, E eu tão sem crença e as árvores tão nuas E tu, gemendo, e o horror de nossas duas Mágoas crescendo e se fazendo horrores! Magoaram-te, meu Pai?! Que mão sombria, Indiferente aos mil tormentos teus De assim magoar-te sem pesar havia?! — Seria a mão de Deus?! Mas Deus enfim É bom, é justo, e sendo justo, Deus, Deus não havia de magoar-te assim!"
"A Ideia De onde ela vem?! De que matéria bruta Vem essa luz que sobre as nebulosas Cai de incógnitas criptas misteriosas Como as estalactites duma gruta?! Vem da psicogenética e alta luta Do feixe de moléculas nervosas, Que, em desintegrações maravilhosas, Delibera, e depois, quer e executa! Vem do encéfalo absconso que a constringe, Chega em seguida às cordas da laringe, Tísica, tênue, mínima, raquítica... Quebra a força centrípeta que a amarra, Mas, de repente, e quase morta, esbarra No molambo da língua paralítica!"
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