"Comunicação Cecília Meireles Pequena lagartixa branca, ó noiva brusca dos ladrilhos! sobe à minha mesa, descansa, debruça-te em meus calmos livros. Ouve comigo a voz dos poetas que agora não dizem mais nada, – e diziam coisas tão belas! – ó ídolo de cinza e prata! Ó breve deusa de silêncio que na face da noite corres como a dor pelo pensamento, – e sozinha miras e foges. Pequena lagartixa – vinda para quê? – pousa em mim teus olhos. Quero contemplar tua vida, a repetição dos teus mortos. Como os poetas que já cantaram, e que já ninguém mais escuta, eu sou também a sombra vaga de alguma interminável música. Pára em meu coração deserto! Deixa que te ame, ó alheia, ó esquiva… Sobre a torrente do universo, nas pontes frágeis da poesia."
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Ver todas"Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo."
"COMPRAS DE NATAL São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes, os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável — apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo."
"Permita que eu que me conforme em ser sozinha."
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