"Primavera Primavera gentil dos meus amores, - Arca cerúlea de ilusões etéreas, Chova-te o Céu cintilações sidéreas E a terra chova no teu seio flores! Esplende, Primavera, os teus fulgores, Na auréola azul, dos dias teus risonhos, Tu que sorveste o fel das minhas dores E me trouxeste o néctar dos teus sonhos! Cedo virá, porém, o triste outono, Os dias voltarão a ser tristonhos E tu hás de dormir o eterno sono, Num sepulcro de rosas e de flores, Arca sagrada de cerúleos sonhos, Primavera gentil dos meus amores!"
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Ver todas"Sonetos I A meu pai doente Para onde fores, Pai, para onde fores, Irei também, trilhando as mesmas ruas... Tu, para amenizar as dores tuas, Eu, para amenizar as minhas dores! Que coisa triste! O campo tão sem flores, E eu tão sem crença e as árvores tão nuas E tu, gemendo, e o horror de nossas duas Mágoas crescendo e se fazendo horrores! Magoaram-te, meu Pai?! Que mão sombria, Indiferente aos mil tormentos teus De assim magoar-te sem pesar havia?! — Seria a mão de Deus?! Mas Deus enfim É bom, é justo, e sendo justo, Deus, Deus não havia de magoar-te assim!"
"O meu nirvana No alheamento da obscura forma humana, De que, pensando, me desencarcero, Foi que eu, num grito de emoção, sincero Encontrei, afinal, o meu Nirvana! Nessa manumissão schopenhauereana, Onde a Vida do humano aspeto fero Se desarraiga, eu, feito força, impero Na imanência da Idéia Soberana! Destruída a sensação que oriunda fora Do tato — ínfima antena aferidora Destas tegumentárias mãos plebéias — Gozo o prazer, que os anos não carcomem, De haver trocado a minha forma de homem Pela imortalidade das Idéias!"
"Ah! Dentro de toda a alma existe a prova De que a dor como um dartro se renova, Quando o prazer barbaramente a ataca..."
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