"A arte maior na questão da vida espiritual é saber como dominar-se. Um homem precisa ter controle sobre si mesmo, deve falar consigo mesmo, exortar e examinar a si mesmo. Deve perguntar à sua alma: "Por que estás abatida?" "Como pode se abater assim?" Você como ele, precisa se voltar para si mesmo — repreendendo, censurando, condenando, exortando — e dizendo a si mesmo: "Espera em Deus", em vez de resmungar e murmurar dessa maneira infeliz e deprimida. E então deve prosseguir, lembrando-se de Deus: quem Ele é, o que Ele é, o que Ele tem feito, e o que tem prometido fazer. Tendo feito isso, termine com esta nota de triunfo: desafie a si mesmo, desafie os outros, desafie o diabo e o mundo todo, dizendo com este homem, "Eu ainda o louvarei. Ele é a salvação da minha face, e o meu Deus"."
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Ver todas"Observem um homem como Abraão. Deus tratou com ele de tal forma que ele pôde "esperar contra a esperança", Ele confiou em Deus de forma total e absoluta, quando todas as aparências indicavam o contrário. E isso precisa ser desenvolvido em nós. Não começamos assim, mas ao atravessarmos essas experiências descobrimos que "por trás de uma providência carrancuda, Ele esconde o rosto de um Pai", e quando as provações voltam, permanecemos calmos e controlados. Podemos dizer: "Sim, eu sei que não posso ver o sol, mas sei que ele está lá. Sei que atrás das nuvens o rosto de Deus está voltado para mim". É por meio dessas provações que esse elemento de confiança é desenvolvido em nós. É exatamente o mesmo com o elemento de paciência, ou perseverança, a capacidade de perseverar e ir em frente apesar de desânimo e abatimento. Esse é um dos maiores testes que um cristão pode enfrentar. Não somos pacientes por natureza. Começamos a vida cristã como crianças, querendo tudo de uma vez; e se não o recebemos, ficamos impacientes e começamos a resmungar, reclamamos e ficamos emburrados como crianças. Isso é porque nos falta paciência e perseverança. Não há nada que as epístolas do Novo Testamento enfatizem mais do que esta qualidade de perseverar, quer as coisas estejam indo bem ou não. Devemos perseverar dizendo: "Deus sabe o que é melhor para mim. Vou confiar nEle". "Ainda que ele me mate, nele esperarei". Isso é perseverança, e é à medida que somos testados e provados que todos esses outros elementos que devem "guarnecer" a nossa fé se desenvolvem e são aperfeiçoados."
"Quando o grande dia chegar, a autenticidade da sua fé vai se manifestar. Haverá louvor e honra e glória. Essa sua pequena fé, a fé que vocês pensam ser tão ínfima, vai se revelar como algo tremendo. Ela resistiu ao teste, e irá ministrar para louvor, e honra, e glória. Honra, louvor e glória de quem? Em primeiro lugar e antes de tudo, dEle. O Senhor Jesus Cristo diz: "Eis aqui estou, e os filhos que me deste". Ele olhará naquele grande dia com satisfação para os cristãos, aqueles a quem Ele chamou. Eles passaram por grandes tribulações, mas resistiram ao teste, e não falharam. Ele olhará para eles, e terá orgulho deles. Eles serão Sua glória, louvor e honra no grande dia que está por vir."
""Acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência". Isso não quer dizer simplesmente conhecimento de doutrina. Temos isso numa certa medida — de outro modo nem teríamos fé. Isto significa um tipo de discernimento, significa entendimento, significa iluminação. Não sabemos tudo no momento em que cremos em Cristo, não entendemos todas as coisas; isso é só o começo. Há constantes apelos e exortações nas epístolas do Novo Testamento para que cresçamos em entendimento — "para que o vosso amor cresça", diz Paulo, "em entendimento". Isso é o que o apóstolo Pedro está dizendo neste ponto. Ele diz que os cristãos não devem parar na fé. Já são cristãos, mas precisam entender a vida cristã. Devem compreender os perigos sutis que os cercam, precisam compreender algo da sutileza de Satanás. Precisam de compreensão: por isso, "acrescentai à vossa fé" — esforcem-se por ter esse discernimento, essa compreensão, essa iluminação. Como isso é essencial — que nos entreguemos à leitura diligente das Escrituras e de livros a respeito das Escrituras e das doutrinas da fé. Vocês nunca compreenderão a fé verdadeiramente se não se dedicarem a essas coisas. Às vezes é um processo doloroso, e certamente exige toda a disciplina que pudermos aplicar. Um estudante nunca se torna perito em qualquer assunto sem trabalho árduo. Aquela conversa a respeito do tipo de homem que tem uma inteligência tão brilhante que nunca precisa estudar ou se esforçar, e depois recebe o primeiro lugar nos exames, é puro mito. Isso não acontece — é uma mentira. Sem conhecimento — e nunca se pode ter conhecimento se não se esforçar — a pessoa nunca terá verdadeira compreensão, verdadeiro discernimento. Isso requer disciplina e esforço; na verdade, guarnecer sua fé com conhecimento, ou ciência, é trabalho muito árduo. O próximo item é temperança, que significa domínio próprio, e aqui não significa simplesmente que controlamos a nossa vida em geral. Esta temperança é uma coisa muito mais detalhada e particular do que isso. Significa que precisamos controlar cada aspecto da nossa vida. Talvez signifique que tenhamos que controlar até o que comemos e bebemos. Os médicos constantemente estão nos dizendo que muitas pessoas estão numa condição precária de saúde física porque comem ou bebem demais. Não há dúvida de que isso é verdade, e há uma tendência crescente a isso no mundo moderno. É lançado sobre nós, de maneira atraente, e há pessoas que sofrem de cansaço e lentidão muitas vezes por simples falta de temperança ou domínio próprio. Não controlam seus apetites, seus desejos, suas paixões; comem demais, ou bebem demais, ou até mesmo dormem demais. O meio de se obter uma boa visão disso é ler as vidas dos santos, ler seus diários, ler o que eles faziam e como controlavam suas vidas. Como temiam essas coisas, e como compreendiam claramente que tinham de evitá-las a todo custo! Paciência significa perseverança para continuar mesmo em meio ao desânimo. Temos que fazer isso — nós mesmos. Precisamos acrescentar isso à nossa fé. Não significa apenas olhar passivamente para o Senhor; nós mesmos precisamos exercer paciência e perseverança, e continuar fazendo isso dia após dia. Depois vem a piedade, que neste ponto sem dúvida significa preocupação e cuidado em manter a nossa comunhão com Deus. Então os dois últimos itens da lista se referem à nossa atitude para com os nossos semelhantes. Amor fraternal significa nosso relacionamento para com nossos irmãos em Cristo. E caridade significa amor a todos os homens, mesmo aqueles que não estão na fé. Precisamos observar estas coisas em detalhes. Depois de nos levar através desses vários passos e estágios, o apóstolo agora nos encoraja a fazer tudo o que ele nos disse. Qual é o encorajamento? Antes de tudo, ele nos lembra do que nós somos. Ele nos diz que nos tornamos "participantes da natureza divina". Se vocês acham que estou pregando uma doutrina dura, e que estou reduzindo a vida cristã a uma tarefa árdua, se sentem hesitações e dúvidas, quero lhes fazer algumas perguntas. Vocês percebem o que são como cristãos? Percebem que são "participantes da natureza divina" e que o Filho de Deus veio do céu à terra e foi até a cruz do Calvário para salvá-los, para libertá-los do mundo e suas concupiscências? "Havendo escapado da corrupção que pela concupiscência há no mundo." Concupiscência é a causa dessa corrupção. Vão permanecer nessa condição? Não querem escapar dela? Percebam, ele diz, que Cristo morreu para que pudessem ser tirados dela, e que realmente foram tirados dela. Por isso, então, "ponde nisto toda a diligência". "Certamente", Pedro pergunta, "vocês não esqueceram que foram purificados dos seus pecados, certamente não esqueceram que morreram com Cristo, e que portanto estão mortos para a lei e mortos para o pecado?" "Como viveremos para o pecado, nós os que para ele morremos?" Essa é a forma que Paulo o expressa. Esse também é o argumento de Pedro. Precisamos compreender isso, e é um extraordinário encorajamento ao enfrentarmos a batalha da fé. No entanto, não devemos parar aí. O apóstolo diz que também devemos compreender que somente fazendo estas coisas é que teremos grande alegria e felicidade no presente. "Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição". E vocês podem tornar firme a sua vocação fazendo estas coisas. Nunca serão felizes de outra forma. Não basta dizer: "A Palavra de Deus diz — todo aquele que nele crê — eu creio, portanto. . ." Isso é verdade, mas nem sempre satisfaz. Está correto racionarmos assim, e faz parte da nossa segurança, porém se pensarmos que nossa segurança se limita a isso, estaremos cometendo um grande engano. Se quisermos tornar firme a nossa vocação e eleição, devemos ser diligentes em todas estas coisas que o apóstolo menciona, e se o fizermos, teremos grande alegria, paz e felicidade. Saberemos qual é nossa posição, ecolheremos os primeiros frutos da glória que nos aguarda. "Fazendo isto, nunca jamais tropeçareis". Nada é mais desanimador do que nossas quedas e tropeços. Tropeçamos, e então nos sentimos miseráveis e infelizes, e lá vem a depressão que faz com que nos sintamos totalmente sem esperança a respeito de tudo. Bem, o que devemos fazer é evitar as quedas, os tropeços — e se fizermos essas coisas, jamais tropeçaremos. Isso não significa que estamos sendo guardados, sem fazer coisa alguma. Ele diz: "Façam estas coisas, e vocês não tropeçarão". Então, reunam toda a diligência para fazer estas coisas, e não tropeçarão."
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