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"Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe."

"(...) assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar. Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? (...) Não sei o que fazer da aterradora liberdade que pode me destruir. (...) havia, aquela coisa latejando, a que eu estava tão habituada que pensava que latejar era ser uma pessoa."

"Por te falar eu te assustarei e te perderei? mas se eu não falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia. (A paixão segundo G. H.) Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. (...) Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso. (Água viva) Respeite mesmo o que é ruim em você – respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você. (...) Não copie uma pessoa ideal, copie você mesma – é esse o único meio de viver. (Correspondências) E o que o ser humano mais aspira é tornar-se ser humano. (Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres) O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. (Correspondências) "Eu te odeio", disse ela para um homem cujo crime único era o de não amá-la. "Eu te odeio", disse muito apressada. Mas não sabia sequer como se fazia. Como cavar na terra até encontrar a água negra, como abrir passagem na terra dura e chegar jamais a si mesma? (Laços de família) Sou um monte intransponível no meu próprio caminho. Mas às vezes por uma palavra tua ou por uma palavra lida, de repente tudo se esclarece. (Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres) Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz. Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma. Vivo numa dualidade dilacerante. Eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim. (Um sopro de vida) Às vezes me dá enjoo de gente. Depois passa e fico de novo toda curiosa e atenta. E é só. (A via crucis do corpo) O que me atormenta é que tudo é "por enquanto", nada é "sempre". (Clarice Lispector: esboço para um possível retrato, de Olga Borelli) Corro perigo Como toda pessoa que vive E a única coisa que me espera É exatamente o inesperado. (Água viva)"

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