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"O corpo reage ao coração ou reage à mente? 08/05/09 Estou tão cansada. Quase não tenho força. Hoje estou naqueles dias em que dá vontade de dormir e acordar dez anos depois. Você já ouviu falar em sono reparador? Queria dormir e acordar dez anos mais linda e dez anos mais burra. Interessa a você saber que estou apaixonada? Impressionante como essa palavra acorda os outros. Eu estou apaixonada, mas não é por uma pessoa. Estou apaixonada pela lembrança de algo leve, solto e rápido, como uma bola de gás que escapa da nossa mão e passa a ficar cada vez menor e mais distante. Estou apaixonada pelo impacto da vida, por um tiro certeiro e bem mirado, pelo arrebatamento provocado pelo descuido das minhas defesas. Quem está no comando dentro de nós? Andei flertando com o perigo e no entanto o perigo estava dentro de mim, dentro desse coração que empacou nos 15 anos, aquela época em que eu era uma velha e acreditava no amor. Toda mulher romântica é uma idosa. Não acredito que eu tenha caído nessa cilada, me apaixonar por uma situação. Por que não estou apaixonada por alguém, estou apaixonada por algo. Algo completamente inatingível. Estou apaixonada por marcar encontros, por receber mensagens safadas, emails, por estacionar olhando pros lados, temendo ser reconhecida. Apaixonada por entrar no apartamento de um estranho, por tirar a roupa, por gozar com um estranho. Apaixonada por aquilo que inspira os filmes B e os romances vendidos em banca. Quem está no comando, me diga? É claro que ele tem rosto, nome e sobrenome. Mas isolado, longe do cenário, ele não me comove. Ele me comove acionando em mim a outra, aquela que só deixo sair da casca de vez em quando. Ele é o xerife que dá liberdade condicional ao meu lado fora-da-lei. Se o xerife desiste da brincadeira, ela precisa voltar pra sua prisão domiciliar. Não me venha falar de outros namorados, não me interessa uma transferência imediata, seria simplista demais. Quero o circo todo a que tenho direito: sedução, fantasia, tempo. Quero um romance longo, quero intimidade. Fazer cena de ciúme, terminar, voltar, amar, brigar de novo, telefonar, pedir desculpas, retornar. Amantes bem comportadas são um tédio. Se eu estivesse no comando, pinçaria do meu caderninho meia dúzia de frases que liquidariam a questão. "Foi bom enquanto durou". "O destino sabe o que faz". "Tudo tem seu preço". "O show deve continuar". Este tipo de clichê. Mas quem está no comando é ela, a que não quer voltar pra cela. Rebelião no presídio feminino: ela fugiu do meu controle. Ela é romântica como uma adolescente. Visceral. Caótica. Ela chora como uma menininha. Cria diálogos tão convincentes durante suas madrugadas insones que chega a acreditar que eles aconteceram. Viajandona. Doce. Áspera. Virginal. Ela me enlouquece. Ela determina a hora de voltar pra casa, e eu aguardo por ela com uma ansiedade quase sexual. Quem está apaixonada? Ela por ele? Eu por ela? Ou tudo não passa de um sentimento solto, sem dono, caçoando de todos nós?"

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"Crescer custa, demora, esfola, mas compensa. É uma vitória secreta, sem testemunhas."

"Fecha e deixa solto... Se você não aguenta mais ouvir aquela mesma ladainha de sempre seja do/da teu/tua namorado(a), marido (esposa), rolo, ficante ou caso, aquele questionamento irritante e initerrupto do tipo: - "Onde foi?" - "Onde estava?" - "Por que não ligou?" - "Não me disse que foi... " - "De quem é esse número?" - "Liguei e você não me atendeu... " - "Eu vi que você olhou para ela (e)" - "A que horas você chegou?" QUER UMA SOLUÇÃO? Os apaixonados precisam aprender a lidar como os flanelinhas. Como??? O flanelinha te orienta a estacionar num lugar e diz: FECHA E DEIXA SOLTO! É simples assim... Esse é o segredo para fazer teu relacionamento durar mais que três semanas. FECHA (sim, um relacionamento fechado, fiel e bacana), mas DEIXA SOLTO. Possibilite uma manobra ou encaixe, mas nunca puxe o freio de mão. A saída é flexibilizar!!!"

"Diminutivos Domingo que vem, Mario Quintana faria cem anos. Um poeta superlativo, que de franzino só tinha a aparência. Mas houve quem tentasse fazê-lo parecer menor do que era. É sabido que certa vez um figurão disse a ele: "Gostei muito dos seus versinhos", no que Quintana rebateu: "Obrigado pela sua opiniãozinha". Diminutivos caem bem quando aplicados aos nomes próprios. Verinha, Tavinho, Soninha. Há até quem tenha recebido este carinho já na certidão de nascimento: a maioria das Terezas que eu conheço são, na verdade, Terezinhas, assim registradas em cartório. No mais, os diminutivos são aceitáveis no universo infantil, quando a vida parece o Minimundo. "Gostou do brinquedinho?" "Quer mais uma bananinha?" E ficamos por aqui. Conversa entre gente grande não comporta excesso de "inhos" e "inhas", a não ser que se esteja a serviço de um plano de tortura. Uma vez, entrei numa loja cuja funcionária conseguiu abalar meus nervos. "Oi, amorzinho, posso te ajudar?" "Qual é o teu nomezinho?" "Esta blusinha vai ficar uma gracinha". Parecia que eu estava na Saci. Lembra da Saci, aquela loja de roupa infantil do tempo em que criança se vestia de criança? Não agüentei nem dois minutos, fui embora antes que ela me fizesse regredir ao útero materno. Tem aquela situação clássica: quando te chamam de filhinha. Uma vez testemunhei um palestrante responder assim à pergunta de uma moça na platéia: "Veja bem, filhinha..." Eu teria me levantado e dado boa-noite. Atender por filhinha e filhinho, só se forem seus pais chamando, e eles sempre lhe chamarão deste modo, mesmo que você seja um filhão de 57 anos com 1m90cm de altura. Escolha: ganhar um beijinho ou um beijo? Descolar um dinheirinho ou ganhar dinheiro? Comprar um carrinho ou um carro? A maneira como falamos revela como nos sentimos: se fazendo conquistas ou recebendo esmolas da vida. Para as gurias: jamais tolere ser chamada de mulherzinha. Imediatamente você estará permitindo que lhe etiquetem as piores qualificações, já que mulherzinha é fragilzinha, dependentezinha, medrosinha, boazinha. Que boazinha, o quê. Mulher tem que ser boa. Ou má. Melhor se precaver contra os que se aproximam cheios de diminutivos. Pode ser afeto, mas também pode ser ódio. Quando uma mulher chama outra de "queridinha", está, no fundo, querendo saltar na jugular da querida. Quando um homem diz: "Vou ali falar com aquele carinha", há grande chance de o papo terminar em pancadaria. Pra completar, tem aqueles que aprontam com você e depois dizem "foi brincadeirinha". Cuidado com tanta meiguice."

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