"SONHAR Sonhar o impossível é fazer milagre, basta acordar, ultrapassar o limite, vencer barreiras e chegar! O sonho é ventre do milagre, a vitória é filha da vida, vida é milagre, basta acreditar."
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Ver todas"Fingimento Nunca fui poeta, fingi que era para sobreviver. Existe alguma forma mais bonita de enganar a si mesmo, brincar de ser profeta, ser feliz, viver? Errei? Sem a menor falsidade, tenho certeza de que nunca os enganei, os amigos fingiram gostar dos meus versos por solidariedade."
"Meu Pai Gosto de rever a imagem forte do meu pai, tremendo o assoalho ao caminhar. É doce me lembrar como se temia quando ele perdia a abotoadura, o guarda-chuva, a chave de fenda! Hoje é lenda, a figura enigmática, a disciplina dura, a rotina sistemática. O pai não morre, ele corre na frente pra levantar o segredo do véu e guardar pra gente o lugar mais estrelado do céu."
"Círculo vicioso Um dia, milhões de bebês choraram na liberdade uterina do milagre da vida: nasceram. Não vestiram seus corpos, não lhes calçaram sapatos nem lhes deram o conforto do seio materno, antes da posse do sonho infantil, foram rejeitados, ao rigor do abandono. Um dia, mãozinhas trêmulas, inseguras, sem afeto, bateram na porta do vizinho, procurando abrigo. Não havia ninguém ali para oferecer afeto nem portas havia na pobreza do lado. O menino escorregou na direção da rua. Um dia, a criança anêmica foi eleita à marginalidade da escura noite e disputava papelões e pães no lixo do depósito público. Aos tapas, cresceu como grão perdido no vão das pedras, sem a mínima possibilidade de sobreviver: sem teto, sem luz, sem chão. Um dia, o adolescente esperto teve alucinações de vida e o desejo de conferir a sociedade: candidatou-se à luta amarga do subemprego. Alvejado pela falta de habilitação, foi condenado como vagabundo, recebendo etiqueta oficial de mendigo. Um dia, o adulto desiludido, amargurado, sem emprego, sem referencial, saiu à procura do amor. No escuro, mas cheio de esperanças, foi colecionando portas fechadas pelo caminho. Sem Deus, sem nome, sem avalista, sem discurso, acreditou no “slogan” das campanhas sociais. Um dia, o menino mal nascido, mal amado, mal educado, não soube cuidar do filho que nem chegou a ver. Não ouviu seu choro. Imaginou apenas que, após nove meses de duríssima gestação, alguém brotara de um rápido encontro, irresponsável, assustado e vazio que sempre ouviu dizer que se chamava amor."
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