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"Suspensas Fugas Para pensar em ti todas as horas fogem: o tempo humano expira em lágrima e cegueira. Tudo são praias onde o mar afoga o amor. Quero a insônia, a vigília, uma clarividência deste instante que habito – ai, meu domínio triste!, ilha onde eu mesma nada sei fazer por mim. Vejo a flor; vejo no ar a mensagem das nuvens - e na minha memória és imortalidade - vejo as datas, escuto o próprio coração. E depois o silêncio. E teus olhos abertos nos meus fechados. E esta ausência em minha boca: pois bem sei que falar é o mesmo que morrer: Da vida à Vida, suspensas fugas."

"Canção de Outono Perdoa-me, folha seca, não posso cuidar de ti. Vim para amar neste mundo, e até do amor me perdi. De que serviu tecer flores pelas areias do chão se havia gente dormindo sobre o próprio coração? E não pude levantá-la! Choro pelo que não fiz. E pela minha fraqueza é que sou triste e infeliz. Perdoa-me, folha seca! Meus olhos sem força estão velando e rogando aqueles que não se levantarão... Tu és folha de outono voante pelo jardim. Deixo-te a minha saudade - a melhor parte de mim. E vou por este caminho, certa de que tudo é vão. Que tudo é menos que o vento, menos que as folhas do chão..."

"No último andar é mais bonito: do último andar se vê o mar. É lá que eu quero morar. O último andar é muito longe: custa-se muito a chegar. Mas é lá que eu quero morar. Todo o céu fica a noite inteira sobre o último andar É lá que eu quero morar. Quando faz lua no terraço fica todo o luar. É lá que eu quero morar. Os passarinhos lá se escondem para ninguém os maltratar: no último andar. De lá se avista o mundo inteiro: tudo parece perto, no ar. É lá que eu quero morar: no último andar."

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