"As vezes eu me olho no espelho Sinto medo, medo de mim Eu não me conheço Sou esquisito Sou humano Uso óculos, como, bebo, fumo e defeco Mijo Olho-me no espelho E esse da-me de volta quem saiu Eu riu, alto, assustado e engraçado. Duas longas coisas saindo do corpo: são os braços Buracos, pelos, peles, nariz ponteagudo Duas orelhas presas na minha cabeça Olho os dedos, meus olhos, me assusta. Falo, sinto emoções e tomo cerveja Rídícula coisa, ali em pé em frente ao espelho Eu me vejo de fora Faço uma abstração mental do que eu nunca vi Que sou humano, e me vejo. É esquisito. É realmente esquisito. Procuro-me no espelho Enão me acho. Só vejo aquilo ali. Parado. Um monte de carnes equilibradas por ossos duros que me mantem em pé. Ali no espelho. Eu sei que não sou aquilo, e o que sou, o espelho não pode me mostrar... AINDA... eu não brilho... ainda... fornecido por D. Maria Eugenia Seixas 08/90"
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Ver todas"Carta a um Amigo Sabe Francisco Eu vi pela televisão Notícias que falam do mundo Mergulhado em confusão Parece Francisco Que tudo o que você falou Somente os peixes e as aves É que prestaram atenção Você disse que é melhor Amar que ser amado Mas tem gente que ainda vive Dando amor pré fabricado Você que um dia arrancou A roupa do teu corpo e ousou Mostrar com sua nudez Coisas que outro homem jamais fez Venha de novo Fazer outra revolução Pois quem sabe dessa vez O mundo preste atenção"
"Conserve seu medo mas sempre ficando sem medo de nada, por que dessa vida de qualquer maneira não se leva nada."
"Tanto faz a vida como a morte O pior de tudo eu já passei..."
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