"A QUE VEM DE LONGE A minha amada veio de leve A minha amada veio de longe A minha amada veio em silêncio Ninguém se iluda. A minha amada veio da treva Surgiu da noite qual dura estrela Sempre que penso no seu martírio Morro de espanto. A minha amada veio impassível Os pés luzindo de luz macia Os alvos braços em cruz abertos Alta e solene. Ao ver-me posto, triste e vazio Num passo rápido a mim chegou-se E com singelo, doce ademane Roçou-me os lábios. Deixei-me preso ao seu rosto grave Preso ao seu riso no entanto ausente Inconsciente de que chorava Sem dar-me conta. Depois senti-lhe o tímido tato Dos lentos dedos tocar-me o peito E as unhas longas se me cravarem Profundamente. Aprisionado num só meneio Ela cobriu-me de seus cabelos E os duros lábios no meu pescoço Pôs-se a sugar-me. Muitas auroras transpareceram Do meu crescente ficar exangue Enquanto a amada suga-me o sangue Que é a luz da vida."
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Ver todas"Monólogo de Orfeu Mulher mais adorada! Agora que não estás, deixa que rompa O meu peito em soluços! Te enrustiste em minha vida, e cada hora que passa É mais por que te amar a hora derrama o seu óleo de amor em mim, amada. E sabes de uma coisa? Cada vez que o sofrimento vem, essa vontade de estar perto, se longe ou estar mais perto se perto Que é que eu sei? Este sentir-se fraco, o peito extravasado o mel correndo, essa incapacidade de me sentir mais eu, Orfeu; Tudo isso que é bem capaz de confundir o espírito de um homem. Nada disso tem importância Quando tu chegas com essa charla antiga, esse contentamento, esse corpo E me dizes essas coisas que me dão essa força, esse orgulho de rei. Ah, minha Eurídice Meu verso, meu silêncio, minha música. Nunca fujas de mim. Sem ti, sou nada. Sou coisa sem razão, jogada, sou pedra rolada. Orfeu menos Eurídice: coisa incompreensível! A existência sem ti é como olhar para um relógio Só com o ponteiro dos minutos. Tu és a hora, és o que dá sentido E direção ao tempo, minha amiga mais querida! Qual mãe, qual pai, qual nada! A beleza da vida és tu, amada Milhões amada! Ah! Criatura! Quem poderia pensar que Orfeu, Orfeu cujo violão é a vida da cidade E cuja fala, como o vento à flor Despetala as mulheres - que ele, Orfeu, Ficasse assim rendido aos teus encantos? Mulata, pele escura, dente branco Vai teu caminho que eu vou te seguindo no pensamento e aqui me deixo rente quando voltares, pela lua cheia Para os braços sem fim do teu amigo Vai tua vida, pássaro contente Vai tua vida que estarei contigo!"
"Disse um poeta um dia que a vida é a arte dos encontros, embora haja tantos desencontros pela vida. Eu me encontrei em teus desencontros e te encontrei em meus desencontros. Mas nada é por acaso nada é sem razão e no tempo certo, na hora certa fomos libertados das cadeias da solidão. Hoje somos livres, libertos pelo amor que nos um une desde o sempre até o FIM."
"Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor. (...) Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor."
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