"(...)Não quero que façam loucuras por mim. Não quero que descarreguem um caminhão de rosas na frente da minha casa. Eu nem saberia onde colocá-las. Não quero que atravessem o mundo em poucas horas apenas para estar comigo. Umas poucas palavras de carinho ao telefone soam bem quando a saudade bate e a distância torna-se um empecilho. Não quero demonstrações que possam ir contra a vida. Se o assunto for realmente amor, eu provavelmente sinto o mesmo e quero o bem de quem eu gosto. Eu quero apenas um amado, um amante, um namorado. Um amigo, um companheiro. Quero alguém para escutar e conhecer de trás para frente. Alguém que saiba enumerar meus defeitos e, mesmo assim, me faça sentir linda, desejada. Alguém com valores semelhantes, mas com visões de vida diferentes. Alguém que não pense sempre como eu, que me desafie e, assim, faça com que eu aprenda algo surpreendente a cada conversa. Alguém que me faça esquecer pré-conceitos e recriar todas as minhas concepções sobre o amor nos segundos que um abraço pode durar. Alguém que me ensine a conviver na convivência. E, principalmente, que não desista de me entender sem antes tentar. Eu não sou tão fácil quanto pareço, nem tão difícil quanto digo ser."
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Ver todas"Péssima mania Tenho mania de tentar mudar as minhas manias. Implico com meu hábito de falar tudo que me vem à cabeça, detesto não conseguir segurar o choro ou as gargalhadas e simplesmente abomino a idéia de sentir ciúmes. Muitas vezes antes de dormir fecho os olhos e peço insistentemente para deixar de viver tudo de forma tão exagerada. Peço para sentir menos, sofrer menos. Adivinha? Em vão. Só eu sei o quanto eu gostaria de ouvir alguém pedindo opinião e não dar logo meu pitaco. Queria ver alguma situação ridícula sem me indignar e soltar meu discurso. Queria não me empolgar tanto quando vejo ou faço algo que me deixa feliz, animada. Queria controlar o meu jeito de gargalhar compulsivamente quando alguém faz gracinha em lugares onde a gente pode (quase) tudo menos rir. Certamente eu iria evitar uma série de constrangimentos e confusões. Se eu pudesse mudar algo em mim, pediria que a minha versão revista e ampliada viesse com um coração menos mole, dramático, tolo. Queria que as lágrimas não escorressem pelo meu rosto quando vejo alguém chorar, queria não me sentir como se estivesse morrendo por dentro quando sei que mesmo sem querer uma pessoa está triste por minha culpa. Queria não me machucar com tanta facilidade e também nunca magoar as pessoas que são especiais para mim, por mais que eu tenha consciência de que não sou nada perfeita. Mas se eu tivesse apenas um pedido a fazer, gostaria de ser mais segura. Queria não sentir ciúme ou medo de ficar longe de quem eu amo. Já perdi as contas de quantas vezes li por aí que devemos deixar quem amamos em liberdade. Se realmente é para ser nosso, vai voltar, nunca foi ou deixará de ser. Dizem que é um peso muito grande para uma pessoa ser a razão de viver de outra e que nunca, sob hipótese alguma, devemos delegar essa carga a alguém. Entretanto, como também tenho a mania de não acreditar em tudo que eu leio ou escuto, penso um pouco diferente. Sinto diferente. Para mim soa comodista o discurso de que haja o que houver tudo vai permanecer igual. Acredito que as coisas podem ficar da melhor maneira desde que eu faça a minha parte, aliás desde que todos os envolvidos façam as suas. Tampouco me assusta a idéia de ser a maior motivação da vida de uma pessoa. Claro que é uma enorme responsabilidade, mas que devemos abraçar com todo o coração, porque não é um pedido, mas uma necessidade. É um sentimento recíproco, chama-se amor. Se não fosse pedir demais, também adoraria perder a minha péssima mania de chorar sempre que você olha fundo nos meus olhos e diz que sua vida já não tem sentido longe de mim. Queria conseguir dizer que eu sinto o mesmo sem antes ter que pedir um minutinho."
"Tirar a casquinha Boba, bobinha, boboca, bobona. O problema de ser tranqüila e sempre relevar é que chega um determinado momento em que não posso mais ignorar ou tentar me enganar e me sinto exatamente assim. Há algum tempo percebi que para alcançarmos nossos objetivos precisamos ter fé e paciência. Só que esqueci que para tudo existe uma medida. Não devemos ser apressados, mas também não podemos esperar para sempre. Tudo de mais ou de menos se torna prejudicial. Mas eu espero, eu me iludo, eu sofro, eu me decepciono. E, mesmo com tudo, mesmo depois de passar por tantas coisas, eu ainda acredito. Eu confio no quanto as pessoas podem ser melhores, desde queiram, é claro. Já me aprontaram cada uma, e eu também devo ter feito umas poucas e boas por aí, não sou nenhuma santa. De algumas me arrependi, de outras não, como disse estou longe de ir para um altar. Mas hoje em dia estou em paz, me absolvi da maior parte dessas culpas e já perdoei e esqueci de algumas das tantas vezes em que pisaram a bola comigo. Só que esqueço apenas do que já não faz sentido, das pessoas que já não têm importância, de tudo que já não quero perto de mim. Fatores e fatos que além de perdoar, agradeço de coração por ter deixado para trás, coisas que percebo que aconteceram para o meu bem. Mas há dores que carrego sempre comigo, feridas latentes, daquelas que é só tirar a casquinha para virem à tona. Bastam algumas palavras ou imagens, alguns lugares ou papos, para que eu volte a sentí-las como se nunca tivesse as deixado de lado. Nessas horas eu me pergunto se eu precisava mesmo passar pelo que passei... Aceitar, perdoar, relevar. Porque eu posso até me fingir de bobinha, mas eu não sou. Eu vejo tudo, eu sinto tudo, eu sempre sei."
"Hora de virar a página, ensaiar o sorriso mais bonito, recompor o coração e ensina-lo a bater novamente. Mágoas, rancores e decepções são deixados de lado na medida em que percebemos que o mundo não pára pra esperar a gente acordar e decidir viver. Tudo simples, nada fácil. Só quem cai e se machuca sabe o tamanho do seu ferimento, o tempo que levará pra cura-lo, o quanto dói.(...)"
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