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"GRAUS NEGATIVOS Encontramo-nos numa festa que não gosta de nós. Ao fim, a festa deixa cair a sua máscara e mostra-se tal como é: uma estação de manobras. Colossos gelados estão de pé, sobre os carris, no nevoeiro. Um pedaço de giz riscou as portas da carruagem. Não se devia mencionar, mas aqui há muita violência reprimida. Por isso os pormenores são tão pesados. E é tão difícil vermos o outro, que também existe: um raio de sol reflectido que se movimenta por cima do muro da casa, que desliza através do bosque ignorado, de rostos cintilantes; uma frase bíblica que nunca se escreveu: "vem até mim, pois eu sou contraditório como tu". Amanhã trabalharei numa outra cidade. Eu corro para lá, através da madrugada que é um grande cilindro negro e azul. Oríon está pendurada por cima da geada. Crianças num montão de mudez esperam pelo autocarro, crianças pelas quais ninguém reza. A luz cresce, pouco a pouco, como o nosso cabelo."

"O penhasco da águia Por detrás do vidro do terrário os répteis estranhamente imóveis. Uma mulher pendura roupa em silêncio. a morte é uma calmaria. Pelo fundo da terra a minha alma escorrega silenciosa como um cometa."

"O Casal Eles desligaram a luz e o seu globo branco brilha um instante e depois dissolve-se, como um comprimido num copo de escuridão. Depois a ascensão. As paredes do hotel elevam-se na escuridão do céu. Os seus movimentos crescem mais suaves, e eles dormem mas os seus pensamentos mais secretos começam a conhecer-se como duas cores que se conhecem e correm juntas no papel molhado de um desenho do rapaz da escola. É o escuro e o silêncio. A cidade no entanto está mais próxima esta noite. Com as suas janelas fechadas. As casas vieram. Eles permanecem embalados e esperam muito próximo, uma multidão de gente com faces em branco. no"

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