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"Olhos de lince (Waly Salomão e Jards Macalé) Quem fala que sou esquisito hermético É porque não dou sopa estou sempre elétrico Nada que se aproxima nada me é estranho Fulano sicrano e beltrano Seja pedra seja planta seja bicho seja humano Quando quero saber o que ocorre a minha volta Ligo a tomada abro a janela escancaro a porta Experimento tudo nunca me iludo Quero crer no que vem por ao beco escuro Me iludo passando presente futuro Revir na palma da mão o dado Presente futuro passado Tudo sentir de todas as maneiras É a chave de ouro do meu jogo De minha mais alta razão Na seqüência de diferentes naipes Quem fala de mim tem paixão."

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"HOJE O que menos quero pro meu dia polidez,boas maneiras. Por certo, um Professor de Etiquetas não presenciou o ato em que fui concebido. Quando nasci, nasci nu, ignaro da colocação correta dos dois pontos, do ponto e vírgula, e, principalmente, das reticências. (Como toda gente, aliás...) Hoje só quero ritmo. Ritmo no falado e no escrito. Ritmo, veio-central da mina. Ritmo, espinha-dorsal do corpo e da mente. Ritmo na espiral da fala e do poema. Não está prevista a emissão de nenhuma “Ordem do dia”. Está prescrito o protocolo da diplomacia. AGITPROP – Agitação e propaganda: Ritmo é o que mais quero pro meu dia-a-dia. Ápice do ápice. Alguém acha que ritmo jorra fácil, pronto rebento do espontaneísmo? Meu ritmo só é ritmo quando temperado com ironia. Respingos de modernidade tardia? E os pingos d’água dão saltos bruscos do cano da torneira e passam de um ritmo regular para uma turbulência aleatória. Hoje..."

"ANTI-VIAGEM Toda viagem é inútil, medito à beira do poço vedado. Para que abandonar seu albergue, largar sua carapaça de cágado e ser impelido corredeira rio abaixo? Para que essa suspensão do leito da vida corriqueira, se logo depois o balão desinfla velozmente e tudo soa ainda pior que antes pois entra agora em comparação e desdoiro? Nenhum habeas corpus é reconhecido no Tribunal do Júri do Cosmos. O ir e vir livremente não consta de nenhum Bill of Rights cósmico. Ao contrário, a espada de Dâmocles para sempre paira sobre a esfera do mapa-múndi. O Atlas é um compasso de ferro demarcando longitudes e latitudes. Quem viaja arrisca uma taxa elevada de lassitudes. Meu aconchego é o perto, o conhecido e reconhecido, o que é despido de espanto pois está sempre em minha volta, o que prescinde de consulta ao arquivo cartográfico. O familiar é uma camada viscosa, protetiva e morna que envolve minha vida como um pára-choque. Nunca mais praias nem ilhas inacessíveis, não me atraem mais os jardins dos bancos de corais. Medito è beira da cacimba estanque logo eu que me supunha amante ardoroso e fiel do distante e cria no provérbio de Blake que diz: EXPECT POISON FROM THE STANDING WATER. Ou seja: AGUARDE VENENO DA ÁGUA PARADA. ÁGUA ESTAGNADA SECRETA VENENO."

"Não choro meu segredo é que sou rapaz esforçado fico parado calado quieto não corro não choro não converso massacro meu medo mascaro minha dor já sei sofrer não preciso de gente que me oriente Se você me pergunta como vai respondo sempre igual tudo legal Mas quando você vai embora movo meu rosto do espelho minha alma chora vejo o Rio de Janeiro vejo o Rio de Janeiro comovo, não salvo, não mudo meu sujo olho vermelho não fico parado não fico calado não fico quieto corro choro converso e tudo mais jogo num verso intitulado MAL SECRETO e tudo mais jogo num verso intitulado MAL SECRETO Gigolô de bibelôs"

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"Olhos de lince (Waly Salomão e Jards Macalé) Quem fala que sou esquisito hermético É porque não dou..." - Waly Salomão | PENSADORES.CO