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"(...)Amar também é bom:porque o amor é difícil. O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta,a maior e última prova,a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação. Por isso, pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo,não sabem amar: tem que aprendê-lo. Com todo o seu ser,com todas as suas forças concentradas em seu coração solitário,medroso e palpitante,devem aprender a amar.Mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura. Assim, para quem ama,o amor,por muito tempo e pela vida afora,é solidão, isolamento cada vez mais intenso e profundo.O amor, antes de tudo,não é o que se chama entregar-se,confundir-se, unir-se a outra pessoa.Que sentido teria, com efeito,a união com algo não esclarecido,inacabado, dependente? O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer,tornar-se algo em si mesmo,tornar-se um mundo para si,por causa de um outro ser;é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz,uma escolha e um chamado para longe. (...)Creio que aquele amor persiste tão forte e poderoso em sua memória justamente por ter sido sua primeira solidão profunda e o primeiro trabalho interior com que moldou a sua vida.(...) (Cartas a um jovem poeta)"

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"Quero lhe implorar Para que seja paciente Com tudo o que não está resolvido em seu coração e tente amar. As perguntas como quartos trancados e como livros escritos em língua estrangeira. Não procure respostas que não podem ser dadas porque não seria capaz de vivê-las. E a questão é viver tudo. Viva as perguntas agora. Talvez assim, gradualmente, você sem perceber, viverá a resposta num dia distante."

"- Que farás tu, meu Deus, se eu perecer? Que farás tu, meu Deus, se eu perecer? Eu sou o teu vaso - e se me quebro? Eu sou tua água - e se apodreço? Sou tua roupa e teu trabalho Comigo perdes tu o teu sentido. Depois de mim não terás um lugar Onde as palavras ardentes te saúdem. Dos teus pés cansados cairão As sandálias que sou. Perderás tua ampla túnica. Teu olhar que em minhas pálpebras, Como num travesseiro, Ardentemente recebo, Virá me procurar por largo tempo E se deitará, na hora do crepúsculo, No duro chão de pedra. Que farás tu, meu Deus? O medo me domina. /// - Hora Grave Quem agora chora em algum lugar do mundo, Sem razão chora no mundo, Chora por mim. Quem agora ri em algum lugar na noite, Sem razão ri dentro da noite, Ri-se de mim. Quem agora caminha em algum lugar no mundo, Sem razão caminha no mundo, Vem a mim. Quem agora morre em algum lugar no mundo, Sem razão morre no mundo, Olha para mim. \\\ O torso arcaico de Apolo Não conhecemos sua cabeça inaudita Onde as pupilas amadureciam. Mas Seu torso brilha ainda como um candelabro No qual o seu olhar, sobre si mesmo voltado Detém-se e brilha. Do contrário não poderia Seu mamilo cegar-te e nem à leve curva Dos rins poderia chegar um sorriso Até aquele centro, donde o sexo pendia. De outro modo erger-se-ia esta pedra breve e mutilada Sob a queda translúcida dos ombros. E não tremeria assim, como pele selvagem. E nem explodiria para além de todas as fronteiras Tal como uma estrela. Pois nela não há lugar Que não te mire: precisas mudar de vida. (Tradução: Paulo Quintela) - Que farás tu, meu Deus, se eu perecer? Que farás tu, meu Deus, se eu perecer? Eu sou o teu vaso - e se me quebro? Eu sou tua água - e se apodreço? Sou tua roupa e teu trabalho Comigo perdes tu o teu sentido. Depois de mim não terás um lugar Onde as palavras ardentes te saúdem. Dos teus pés cansados cairão As sandálias que sou. Perderás tua ampla túnica. Teu olhar que em minhas pálpebras, Como num travesseiro, Ardentemente recebo, Virá me procurar por largo tempo E se deitará, na hora do crepúsculo, No duro chão de pedra. Que farás tu, meu Deus? O medo me domina. (Tradução: Paulo Plínio Abreu) - Hora Grave Quem agora chora em algum lugar do mundo, Sem razão chora no mundo, Chora por mim. Quem agora ri em algum lugar na noite, Sem razão ri dentro da noite, Ri-se de mim. Quem agora caminha em algum lugar no mundo, Sem razão caminha no mundo, Vem a mim. Quem agora morre em algum lugar no mundo, Sem razão morre no mundo, Olha para mim. (Tradução: Paulo Plínio Abreu) Morgue Estão prontos, ali, como a esperar que um gesto só, ainda que tardio, possa reconciliar com tanto frio os corpos e um ao outro harmonizar; como se algo faltasse para o fim. Que nome no seu bolso já vazio há por achar? Alguém procura, enfim, enxugar dos seus lábios o fastio: em vão; eles só ficam mais polidos. A barba está mais dura, todavia ficou mais limpa ao toque do vigia, para não repugnar o circunstante. Os olhos, sob a pálpebra, invertidos, olham só para dentro, doravante. \\\ A Gazela Gazella Dorcas Mágico ser: onde encontrar quem colha duas palavras numa rima igual a essa que pulsa em ti como um sinal? De tua fronte se erguem lira e folha e tudo o que és se move em similar canto de amor cujas palavras, quais pétalas, vão caindo sobre o olhar de quem fechou os olhos, sem ler mais, para te ver: no alerta dos sentidos, em cada perna os saltos reprimidos sem disparar, enquanto só a fronte a prumo, prestes, pára: assim, na fonte, a banhista que um frêmito assustasse: a chispa de água no voltear da face."

"As obras de arte são uma infinita solidão: nada as pode alcançar tão pouco quanto a crítica."

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