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Mais de Adélia Prado
Ver todas"De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo."
"A Serenata Uma noite de lua pálida e gerânios ele viria com boca e mão incríveis tocar flauta no jardim. Estou no começo do meu desespero e só vejo dois caminhos: ou viro doida ou santa. Eu que rejeito e exprobo o que não for natural como sangue e veias descubro que estou chorando todo dia, os cabelos entristecidos a pele assaltada de indecisão. Quando ele vier, porque é certo que vem, de que modo vou chegar ao balcão sem juventude? A lua, os gerânios e ele serão os mesmos – só a mulher entre as coisas envelhece. De que modo vou abrir a janela, se não for doida? Como a fecharei, se não for santa?"
"Lembrança de maio Meu coração bate desamparado onde minhas pernas se juntam. É tão bom existir! Seivas, vergônteas, virgens, tépidos músculos que sob as roupas rebelam-se. No topo do altar ornado com flores de papel e cetim aspiro, vertigem de altura e gozo, a poeira nas rosas, o afrodisíaco incensado ar de velas. A santa sobre os abismos- à voz do padre abrasada eu nada objeto, lírica e poderosa."
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