"Sobre a Solidão Entender é trancar-se dentro da palavra. Quem não sabe, quem não sabe, quem não quer saber de nada gruda a língua no céu da boca, não escuta e finge que não vê. Entender é um outro nível da ignorância. Bastaria um toque se fôssemos livres. Não é preciso nenhum livro para quem pode não ler. Se quisermos, amiga, não entendemos nada... Tem quem prefira os beijos às palavras. Tem quem não viva sem um off dizendo não, o tempo todo. Tem gente de tudo o que é tipo. Só não devemos viver sem o sentido, sem a realidade, o objeto, o eu e o você. Somos infelizes. Jamais sobreviveríamos à liberdade de leves e inconsequentes ações. - Vamos, vamos logo subir essa escada que leva o amor ao último andar. Estamos descalços e o mármore gela os nossos pés. Sobe pelo corpo o tremor do castelo que desmorona. Então vamos, segura firme no corrimão. Respire fundo. Subir tão alto dá vertigem e olhar para trás deixaria-nos cegos. Os erros são medusas intransigentes, arrancam as nossas lembranças boas e tatuam os desaforos e mágoas. Por isso, marche! Ainda estou contigo. Para ir até o fim da paixão deve-se estar acompanhado. Sinta o meu perfume enquanto o vento do tempo sopra esse bafo de mudança. Se quiser, dou-lhe o braço. Entraremos no salão da grande dança. A quadrilha dos desafortunados só começa quando o poeta recita a dor de um adeus. Pronto. Mais alguns passos e poderemos nos soltar no espaço. Livres. Serenos. E tristes. Vamos logo. Não há mesmo como evitar a covardia. Não há coragem para se ir até o fundo. É isso, meu amor, agora só mais um degrau e você estará – de novo – em paz com o seu coração vazio. Por isso, vamos! O nada não inspira, não treme os sexos, não dá calafrios, nem ciúmes; Não cria o ódio, nem teme o abandono. Ali você poderá descansar sem culpa, remorsos, sonhos estúpidos. Amar proibido é muito. Causa tanto estrago... E por isso, por tudo isso, vamos! No final devo pedir perdão por tê-lo tocado. Agora pode largar a minha mão. Pode partir. Lembre-se ou esqueça-se de mim. Coração quebrado tem cura: a paz de não precisar mais aguardar a perfeição que não existe."
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Ver todas"Quantos dias perdi você, olhando para mim, dentro do seu corpo."
"Não gosto de perder as minhas coisas, você sabe. E hoje, cercada pela sua ausência, procuro o que procurar. Experimentando o desânimo da busca desiludida. Pois, se um amor como aquele acaba dessa maneira, vale a pena encontrar um outro? Será inteligente apostar tanto de novo?"
"O amor não se transforma, ele se esgota, e a gente vai levando, por vários motivos. E, saibam, muitos desses motivos não são nada nobres."
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