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"A Vigília de Hero Tu amarás outras mulheres E tu me esquecerás! É tão cruel, mas é a vida. E no entretanto Alguma coisa em ti pertence-me! Em mim alguma coisa és tu. O lado espiritual do nosso amor Nos marcou para sempre. Oh, vem em pensamento nos meus braços! Que eu te afeiçoe e acaricie... Não sei porque te falo assim de coisas que não são. Esta noite, de súbito, um aperto De coração tão vivo e lancinante Tive ao pensar numa separação! Não sei que tenho, tão ansiosa e sem motivo. Queria ver-te... estar ao pé de ti... Cruel volúpia e profunda ternura dilaceram-me! É como uma corrida, em minhas veias, De fúrias e de santas para a ponta dos meus dedos Que queriam tomar tua cabeça amada, Afagar tua fronte e teus cabelos, Prender-te a mim por que jamais tu me escapasses! Oh, quisera não ser tão voluptuosa! E todavia Quanta delícia ao nosso amor traz a volúpia! Mas faz sofrer... inquieta... Ah, com que poderei contentá-la jamais? Quisera calmá-la na música... Ouvir muito, ouvir muito... Sinto-me terna... e sou cruel e melancólica! Possui-me como sou na ampla noite pressaga! Sente o inefável! Guarda apenas a ventura Do meu desejo ardendo a sós Na treva imensa... Ah, se eu ouvisse a tua voz!"

"Unidade Minh’alma estava naquele instante Fora de mim longe muito longe Chegaste E desde logo foi Verão O Verão com as suas palmas os seus mormaços os seus ventos de sôfrega mocidade Debalde os teus afagos insinuavam quebranto e molície O instinto de penetração já despertado Era como uma seta de fogo Foi então que min’alma veio vindo Veio vindo de muito longe Veio vindo Para de súbito entrar-me violenta e sacudir-me todo No momento fugaz da unidade."

"Soneto Inglês nº2 Aceitar o castigo imerecido não por fraqueza, mas por altivez. no tormento mais fundo o teu gemido trocar num grito de ódio a que o fez. As delícias da carne e pensamento com que o instinto da espécie nos engana, sobpor ao generoso sentimento de uma afeição mais simplesmente humana. Não tremer de esperança e nem de espanto. Nada pedir nem desejar senão a coragem De ser um novo santo. sem fé num mundo além do mundo. E então morrer sem uma lágrima que a vida Não vale a pena e a dor de ser vivida."

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