"CONHEÇO A RESIDÊNCIA DA DOR Conheço a residência da dor. É um lugar afastado, Sem vizinhos, sem conversa, quase sem lágrimas, Com umas imensas vigílias, diante do céu. A dor não tem nome, Não se chama, não atende. Ela mesma é solidão: nada mostra, nada pede, não precisa. Vem quando quer. O rosto da dor está voltado sobre um espelho, Mas não é rosto de corpo, Nem o seu espelho é do mundo. Conheço pessoalmente a dor. A sua residência, longe, em caminhos inesperados. Às vezes sento-me à sua porta, na sombra das suas árvores. E ouço dizer: “Quem visse, como vês, a dor, já não sofria”. E olho para ela, imensamente. Conheço há muito tempo a dor. Conheço-a de perto. Pessoalmente."
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Ver todas"Suspensas Fugas Para pensar em ti todas as horas fogem: o tempo humano expira em lágrima e cegueira. Tudo são praias onde o mar afoga o amor. Quero a insônia, a vigília, uma clarividência deste instante que habito – ai, meu domínio triste!, ilha onde eu mesma nada sei fazer por mim. Vejo a flor; vejo no ar a mensagem das nuvens - e na minha memória és imortalidade - vejo as datas, escuto o próprio coração. E depois o silêncio. E teus olhos abertos nos meus fechados. E esta ausência em minha boca: pois bem sei que falar é o mesmo que morrer: Da vida à Vida, suspensas fugas."
"A maior pena que eu tenho, punhal de prata, não é de me ver morrendo, mas de saber quem me mata."
"De que são feitos os dias? - De pequenos desejos, vagarosas saudades, silenciosas lembranças."
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