"A castidade com que abria as coxas e reluzia a sua flora brava Na mansuetude das ovelhas mochas, e tão estreita, como se alargava. Ah, coito, coito, morte de tão vida, sepultura na grama, sem dizeres Em minha ardente substância esvaída, eu não era ninguém e era mil seres em mim ressuscitados Era Adão, primeiro gesto nu ante a primeira negritude de corpo feminino Roupa e tempo jaziam pelo chão E nem restava mais o mundo, à beira dessa moita orvalhada, nem destino."
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Ver todas"Cuidado por onde andas, que é sobre os meus sonhos que caminhas."
"A Hora do Cansaço As coisas que amamos, as pessoas que amamos são eternas até certo ponto. Duram o infinito variável no limite de nosso poder de respirar a eternidade. Pensá-las é pensar que não acabam nunca, dar-lhes moldura de granito. De outra matéria se tornam, absoluta, numa outra (maior) realidade. Começam a esmaecer quando nos cansamos, e todos nos cansamos, por um outro itinerário, de aspirar a resina do eterno. Já não pretendemos que sejam imperecíveis. Restituímos cada ser e coisa à condição precária, rebaixamos o amor ao estado de utilidade. Do sonho eterno fica esse gosto acre na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar."
"E fala e ri e gesticula e grita. (teus olhos) entrava-nos alma adentro e via esta lama podre e com pesar nos fitava e com ira amaldiçoava e com doçura perdoava."
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