"G. Junqueiro? Tenho uma grande indiferença pela obra dele. Já o vi... Nunca pude admirar um poeta que me foi possível ver."
Temas Relacionados
Mais de Fernando Pessoa
Ver todas"Estás só. Ninguém o sabe. Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge. Mas finge sem fingimento. Nada 'speres que em ti já não exista, Cada um consigo é triste. Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas, Sorte se a sorte é dada."
"Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios Que largam do cais arrastando nas águas por sombra Os vultos ao sol daquelas árvores antigas… O porto que sonho é sombrio e pálido E esta paisagem é cheia de sol deste lado… Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol… Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo… O vulto do cais é a estrada nítida e calma Que se levanta e se ergue como um muro, E os navios passam por dentro dos troncos das árvores Com uma horizontalidade vertical, E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro… Não sei quem me sonho… Súbito toda a água do mar do porto é transparente E vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada, Esta paisagem toda, renque de árvore, estrada a arder em aquele porto, E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro, E passa para o outro lado da minha alma…"
"Contemplo o lago mudo que a brisa estremece Não sei se penso em tudo ou se o tudo me esquece O lago nada me diz, não sinto a brisa mexe-lo Não sei se sou feliz nem se desejo se-lo Tremulos rincos risonhos na agua adormecida porque fiz eu dos sonhos a minha única vida?"
Autores Populares
Em busca de mais sabedoria?



