"Satélite Fim de tarde. No céu plúmbeo A lua baça Paira. Muito cosmograficamente Satélite. Desmetaforizada, Desmitificada, Despojada do velho segredo de melancolia, Não é agora o golfão de cismas, O astro dos loucos e enamorados, Mas tão somente Satélite. Ah! Lua deste fim de tarde, Desmissionária de atribuições românticas; Sem show para as disponibilidades sentimentais! Fatigado de mais-valia, gosto de ti, assim: Coisa em si, -Satélite."
Temas Relacionados
Mais de Manuel Bandeira
Ver todas"Auto-retrato Provinciano que nunca soube Escolher bem uma gravata; Pernambucano a quem repugna A faca do pernambucano; Poeta ruim que na arte da prosa Envelheceu na infância da arte, E até mesmo escrevendo crônicas Ficou cronista de província; Arquiteto falhado, músico Falhado (engoliu um dia Um piano, mas o teclado Ficou de fora); sem família, Religião ou filosofia; Mal tendo a inquietação de espírito Que vem do sobrenatural, E em matéria de profissão Um tísico profissional."
"Vivo nas estrelas porque é lá que brilha a minha alma."
"Resposta a Vinicius Poeta sou; pai, pouco; irmão, mais. Lúcido, sim; eleito, não; E bem triste de tantos ais Que me enchem a imaginação. Com que sonho? Não sei bem não. Talvez com me bastar, feliz – Ah, feliz como jamais fui! – Arrancando do coração – Arrancando pela raiz – Este anseio infinito e vão De possuir o que me possui."
Autores Populares
Em busca de mais sabedoria?



