"Nesses dias a minha alma tem pedido um pouco mais de espaço, um pouco mais de ar. Eu quero mesmo é saber onde você está. Ou você acha que eu ainda consigo ser feliz longe de você? O nosso dia ta chegando, e faz quase um ano que a gente não se fala. Ultimamente, tenho me considerado uma atriz nata em conseguir esconder a falta que me faz você. É ainda dolorido te ter tão longe, procurar você nos olhos dos seus amigos, contar a nossa história como se fosse uma ferida que não dói mais. Dói sim. Todos os dias pela manhã, eu acordo primeiro que todos, para ninguém me ver lavando a ferida, cuidando dela, colocando remédio, fazendo curativo e depois, escondendo-a na base e no pó compacto. Depois, ainda, lavo o rosto com água gelado, foco meus pensamentos numa realidade futuro, leio até ficar inconsciente, isso tudo é pra tentar esquecer de você. Eu nem sei como consigo dizer que não te amo mais, se meus olhos não mentem. Nunca mentiram. Não posso ter sido a única a sofrer desse jeito, ainda desejo apertar a sua mão e dizer que conheço dessa dor. Que não é fácil, mas que eu posso te ajudar. Oras! O que estou dizendo? Não te quero mais! Não quero te desejo mais! Não te amo! Não!"
Temas Relacionados
Mais de Mayara Freire
Ver todas"Os dias tem sido bons, apesar de todas as tempestades torrenciais, eu tenho me mantido em pé. E isso me faz sorrir todos os dias, me faz querer mudar a cor do cabelo, do esmalte, do batom. É bom olhar tudo isso e saber a pessoa boa que me tornei - apesar de todos os surtos e defeitos que eu não devia ter -, eu me orgulho, sinceramente. Essa coisa de transferir a responsabilidade, sofrer ouvindo casinhos, bancar a forte, inflexível, esclarecida e indisponível não é comigo. Ninguém é mais forte que o amor. Amando eu descobri novidades a meu respeito, lembrei de um passado escondido e decidi ser gentil. Porque, como já dizia Carpinejar "Sem gentilezas o amor cansa". E eu não quero que esse amor aqui dentro canse. Bom olhar em volta e perceber que segurei o mundo de muitas pessoas enquanto o meu desmoronava, mas agora elas estão bem, seguindo suas vidas, andando sozinhos sem ter que segurar a mão de alguém pra atravessar a rua. Elas cresceram e isso me fez bem, me faz bem. Eu tenho esse meu lado mãe de todos e olhar os olhinhos marejados desses a quem ajudei me faz bem. Eu não sei amar pouco. Apesar dos traumas, eu resolvi amar muito. Mas também... Me contrario quando digo isso, porque se você me analisar alguns minutos, verá que esse amor não surge assim. Eu só consigo amar depois que desconfio da pessoa até mesmo precisando inventar um motivo. Depois que minha desconfiança cansa, eu amo. Depois que eu amo, eu confesso. E aí já não haverá volta. Falarei mais de quatro mil palavras por dia, não esconderei a resposta de uma pergunta sequer que você me fizer e continuarei falando e divagando sobre qualquer coisa enquanto eu sentir o triplo da responsabilidade caindo sobre você a cada palavra minha. Porque, pra mim, ouvir as confissões de alguém é uma das maiores responsabilidades da vida. Isso exige amor, paciência, bom humor, um bocado de fé e a simplicidade no olhar. Cada palavra que você ouve de uma confissão deve servir apenas para você amar aquela pessoa, e nunca usar o que ela disse contra ela em um dia cinza de raiva, mágoa ou coisa do tipo. Confissões não servem pra fofoca: você ouve, sorri e consola. Simples assim. E o mundo tá carente de ouvintes. Falta quem decida morrer com e pelas confissões que ouviu. Distorcer confissões ou fazer delas fofocas apagam lembranças, podem estragar a vida de alguém. O que é dito não é pra ser devolvido. Você não precisa ser ouvinte, mas se quiser ser, precisa aprender a cercar o silêncio de alguém com o seu silêncio. Precisa aprender que não nasceu pra julgar ninguém, mas para se julgar, e aí então, merecer amar."
"Não sei as horas. Fico perdida nas minhas lembranças do meu inconsciente, sem saber quando e onde posso acordar para a realidade do meu mundo. Das rotinas, das pessoas, dos amigos... Da família. Minha vida, desde que tenho evoluído e, o presente me apresenta algo que o futuro traz, me sinto como se tivesse parado no tempo onde o passado me cerca de lembranças e oportunidades inesquecíveis. Os meses não dão conta de segurar os dias que, na velocidade da luz, passam levando toda a sua existência no envelhecimento dos corpos. Algo diferente a se desenvolver. Cada parte, cada canto do seu corpo se modifica, e a alma se mantém como uma luz acesa, com nenhuma pretensão de se apagar. Nessa velocidade desesperada que o tempo atingiu, nem as estações podem suportar tanto sofrimento. Saio de casa com o raiar do dia, com o tocar da brisa que o vento traz. E, no decorrer, à tarde retorno aos sons de relâmpagos e trovões, como se houvesse fúria em seus refúgios. Sinto-me só. Sinto-me sem proteção e, por mais que eu saiba que Deus ao meu lado se encontra, me sinto sozinha. A carência de uma companhia, não se sabe ao certo se divina. Sei que não. Quem sabe amiga. Pode ser. Hoje em dia são tão poucos em minha volta. De amor. A distância destrói o que ainda resta da vontade de sua presença, mas o tempo e o coração me mantêm forte para suportar essa dor que corrói. Busco a felicidade a importância de minha vida. Na simples beleza de uma flor colorida onde toca os lábios de uma linda borboleta ou, quem sabe, um beija-flor. Fico muito preenchida e contente quando percebo que tenho uma vida magnífica e me encontro lentamente ao saber que essa simples cidade pode ser vista pelos meus olhos onde, neste momento, transbordam de lágrimas de alegria contida no encanto do barulho contínuo das gotas d’água caindo no chão e rolando pelo vidro da janela, ou no encanto do bater de asas da borboleta. Olho para o meu interior e sinto os meus pés, concentro em minhas mãos onde se purifica o fruto do meu trabalho, cada magnitude posso transmitir através delas. Dessa forma me sinto viva. Pronto para encarar mais desafios. Encontro a importância de ser feliz e, mais que isso, a importância de viver, além disso, a importância de minha existência. Assim, encontro a principal resposta: Hoje é meu dia!"
"Eu queria destruir tudo com requinte, com esses textos que estão perdidos nas gavetas. Queria usar tudo isso para quebrar imediatamente qualquer tipo de relação bonita que mal comece a acontecer. Eu sei que posso, a qualquer hora, destruir tudo. Fui treinada ouvindo palavras duras, que matam mais que arma de fogo. Mas, alguma coisa aqui dentro me impede. Princípios que me fazem ver tudo com mais clareza, exatidão e bondade. Princípios que dizem a verdade: um dia eu vou ter que viver uma história clichê, isso é inegável. Os impulsos, os meus pensamentos rápidos e toda essa compulsão me fazem querer tomar decisões precipitadas, desistir de insistir sem fé nenhuma seja lá pra permitir ou impedir. Eu sempre fui empurrada por palavras, livros, impulsos... Sorte que os princípios e a minha personalidade (que não é nada fraca) sempre me barram e me perguntam: “Está certo isso?” Eu queria destruir tudo pra me proteger, voltar aos meus livros, aos meus textos, aos calos nas pontas dos dedos de tanto escrever. Queria destruir tudo para que eu não saísse ferida, machucada, como antes. Eu não queria te magoar, não queria apagar o que há de mais lindo no seu olhar. Não queria fazer mal a você, não queria que você chorasse, que soltasse a minha mão. Sempre que eu tento me proteger e tentar não me ferir eu acabo ferindo a outra pessoa sem perceber; nessa minha atitude impulsiva e nervosa, que sempre me faz voltar atrás depois, nem que seja pra pedir perdão. Sinceramente, continuar sem te ter ao meu lado não vai ser nada fácil. Não queria cobrar nada de você, pedir nada. Não queria te ver assim. Mas a minha mania de ser sincera, de ser realista com tudo, mesmo que me cause dores piores que cólicas me fez te ver assim, hoje a noite. Mas eu sei que você me conhece o suficiente pra saber exatamente o que eu queria dizer, o que eu estava pensando. Eu não queria mas deixei você ir. Foi necessário pra você e pra mim. Não acabou aqui. Ainda não. Nada do que se constrói em tanto tempo pode acabar assim, ficam os resíduos e é isso que me dá esperança de que tudo volte a ser parecidamente como antes. Não precisa ser igual pois, só de te ter ao meu lado me entendendo, como sempre, já seria a melhor coisa pra mim. Eu sei que eu podia escolher, que eu podia ter a coragem que você sempre teve. Olhando o mar, você disse em LIVRE ARBÍTRIO. Ok. Eu sei que eu tenho o livre arbítrio de andar pelo caminho que eu quero mas, agora, é como se, por trás do livre arbítrio, já existisse um destino fixo, algo que eu não consigo mudar. Sobrenatural. Uma coisa pré-determinada, que eu não posso violar. Agora, por exemplo, se você me ligasse eu juro que diria TANTA coisa... Talvez eu conseguisse dizer tudo o que sinto, tudo o que acho e das coisas que eu queria me arrepender de ter dito e feito. Não pensei que você me doesse tanto... Você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente."
Autores Populares
Em busca de mais sabedoria?


