""Como Ser Legal" é o nome do livro que o escritor inglês Nick Hornby lançou este ano. Conta a história de um cara que era um chato e que, quando percebe que seu casamento está indo para as cucuias, resolve se transformar num benfeitor, num boa praça: e se torna mais chato ainda. Todo mundo quer ser legal, e todo mundo se ferra na empreitada. É difícil ser legal o tempo inteiro. A gente consegue ser legal a maior parte do tempo, mas aí faz uma besteira e pronto: tudo o que você fez de bom é imediatamente esquecido e você se torna apenas aquele que fez a grande besteira. Aí você precisa de mais uns dois meses sendo exclusivamente legal para todo mundo esquecer da besteira. E quando eles esquecem, você faz outra, claro. Mas você é legal. Você é simpático com os amigos, dá sempre uma força quando eles precisam. Você puxa papo com o garçom, abre a porta do elevador para sua vizinha entrar, você acaricia a cabeça das criancinhas, você é fiel à sua namorada, você até empresta seus discos. Você é 24 horas por dia legal, até o momento em que sua mãe pede para você almoçar na casa dela, você vai e diz que o suflê está intragável. Está mesmo. Mas ela diz que você fala isso só para implicar, aí você pede desculpas, aí ela diz que você nunca aparece e quando aparece é para reclamar, aí você diz para ela parar de fazer chantagem emocional e aí ela corre para o quarto chorando e você, que achava que sua mãe já estava na menopausa, descobre que ela ainda sofre de TPM. Tem hora que é imprescindível chutar o balde. Tem hora que é fundamental deixar a verdade nua e crua vir à tona. Tem hora que você precisa dizer para sua namorada: eu te adoro, mas quero ficar sozinho hoje à noite, qual é o problema? O problema é que ela passa a te odiar. E você passa a achar que não tem vocação pra ser legal o tempo inteiro. E é verdade. Ninguém tem. É cansativo. Desgastante. Já somos legais à beça por tentar. Tem gente que nem isso."
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Ver todas"Troquei sonhos por objetivos. Eles são mais compactos, ocupam menos espaço e dão mais certo."
"há mulheres que têm diversos namorados depois casam e têm diversos filhos e filhas eventualmente um ou dois amantes e chegam no fim da vida sem nunca sentirem-se amadas como as artistas há mulheres que tiveram uns poucos flertes ligeiros no máximo um amor platônico não casam, não fazem filhos cultivam meia dúzia de amigos e nunca se sentem benquistas há mulheres que preferem ficar sozinhas não amam senão viagens, plantas e espelhos e no entanto os homens morrem por elas largam a família, se atiram a seus pés amam estas mulheres com o amor mais puro que existe, e nem isso conquista fraqueza, defeito desvio cultural herança genética, trauma de infância carência existencial vá saber a razão para tanto eu te amo ocasional nenhuma mulher se sente amada o suficiente desista"
""Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.""
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