"Nascemos para amar; a Humanidade Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura. Tu és doce atractivo, ó Formosura, Que encanta, que seduz, que persuade. Enleia-se por gosto a liberdade; E depois que a paixão na alma se apura, Alguns então lhe chamam desventura, Chamam-lhe alguns então felicidade. Qual se abisma nas lôbregas tristezas, Qual em suaves júbilos discorre, Com esperanças mil na ideia acesas. Amor ou desfalece, ou pára, ou corre: E, segundo as diversas naturezas, Um porfia, este esquece, aquele morre."
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Ver todas"Noite tempestuosa O céu das opacas sombras abafado, Tornando mais medonha a noite feia, Mugindo sobre as rochas, que salteia, O mar em crespos montes levantado; Desfeito em furações o vento irado; Pelos ares zunindo a solta areia; O pássaro nocturno que vozeia No agoireiro ciprestes além pousado; Formam quadro terrível, mas aceito, Mas grato aos olhos meus, gratos à fereza Do ciúme e saudade, a que ando afeito. Quer no horror igualar-me a Natureza; Porém cansa-se em vão, que no meu peito Há mais escuridão, há mais tristeza."
"Triste quem ama, cego quem se fia."
"Meu Ser Evaporei na Lida Insana Meu ser evaporei na lida insana Do tropel de paixões, que me arrastava. Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava Em mim quase imortal a essência humana. De que inúmeros sóis a mente ufana Existência falaz me não dourava! Mas eis sucumbe a Natureza escrava Ao mal, que a vida em sua origem dana. Prazeres, sócios meus e meus tiranos! Esta alma, que sedenta em si não coube, No abismo vos sumiu dos desenganos. Deus, oh Deus!… Quando a morte a luz me roube, Ganhe num momento o que perderam anos, Saiba morrer o que viver não soube."
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