"Que Amor Fez sem Remédio, o Tempo, os Fados? Depois de tantos dias mal gastados, Depois de tantas noites mal dormidas, Depois de tantas lágrimas vertidas, Tantos suspiros vãos vãmente dados, Como não sois vós já desenganados, Desejos, que de cousas esquecidas Quereis remediar mortais feridas, Que amor fez sem remédio, o tempo, os Fados? Se não tivéreis já longa exp'riência Das sem-razões de Amor a quem servistes, Fraqueza fora em vós a resistência. Mas pois por vosso mal seus males vistes, Que o tempo não curou, nem larga ausência, Qual bem dele esperais, desejos tristes?"
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Ver todas"Quando de minhas mágoas a comprida Maginação os olhos me adormece, Em sonhos aquela alma me aparece Que pera mim foi sonho nesta vida. Lá numa saudade, onde estendida A vista pelo campo desfalece, Corro pera ela; e ela então parece Que mais de mim se alonga, compelida. Brado: - Não me fujais, sombra benina! Ela, os olhos em mim c'um brando pejo, Como quem diz que já não pode ser, Torna a fugir-me; e eu gritando: - Dina... Antes que diga: - mene, acordo, e vejo Que nem um breve engano posso ter."
"Prometeis, e não cumpris? Pois sem cumprir, tudo é nada. Não sois bem aconselhada; que quem promete, se mente, o que perde não o sente."
"A Morte, que da vida o nó desata, os nós, que dá o Amor, cortar quisera na Ausência, que é contra ele espada fera, e com o Tempo, que tudo desbarata."
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