"Não te quero senão porque te quero, e de querer-te a não querer-te chego, e de esperar-te quando não te espero, passa o meu coração do frio ao fogo. Quero-te só porque a ti te quero. Odeio-te sem fim e odiando te rogo, e a medida do meu amor viajante, é não te ver e amar-te como um cego. Talvez consumirá a luz de Janeiro, seu raio cruel meu coração inteiro, roubando-me a chave do sossego, Nesta história só eu me morro, e morrerei de amor porque te quero, porque te quero amor, a sangue e fogo."
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Ver todas"Aqui eu te amo. Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento. Fosforesce a lua sobre as águas errantes. Andam dias iguais a perseguir-se. Define-se a névoa em dançantes figuras. Uma gaivota de prata se desprende do ocaso. Às vezes uma vela. Altas, altas, estrelas. Ou a cruz negra de um barco. Só. Às vezes amanheço, e minha alma está úmida. Soa, ressoa o mar distante. Isto é um porto. Aqui eu te amo. Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte. Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas. Às vezes vão meus beijos nesses barcos solenes, que correm pelo mar rumo a onde não chegam. Já me creio esquecido como estas velhas âncoras. São mais tristes os portos ao atracar da tarde. Cansa-se minha vida inutilmente faminta... Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante. Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos. Mas a noite enche e começa a cantar-me. A lua faz girar sua arruela de sonho. Olham-me com teus olhos as estrelas maiores. E como eu te amo, os pinheiros no vento, querem cantar o teu nome, com suas folhas de cobre."
"Ir levando no caminho os amores perdidos e os sonhos idos e os fatais sinais do olvido. Ir seguindo na dúvida das horas apagadas, pensando que todas as coisas se tornaram amargas para alongarmos mais a via dolorosa."
"A timidez é uma condição alheia ao coração, uma categoria, uma dimensão que desemboca na solidão."
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