"Soneto XXIII Como o bisonho ator que, porque se arreceia, Do palco, sai daí, sem haver dito nada, Ou como quem, tendo a alma a estuar, de raiva cheia, Pelo excesso de força há de tê-la infirmada, Assim, pelo temor de te falar, esqueço O cerimonial que impõe do amor o rito, E a força do meu próprio amor perder pareço, Porque pesa demais seu poder irrestrito. Deixa os escritos meus, então, ser a eloquência Do meu íntimo peito, os mudos mensageiros Que, mais do que esta voz, mesmo acesa em veemência, Pleitearão para o amor prêmios alvissareiros. Ah! aprende a ler o que o silente amor escreve: Ouvir com o olhar é o dom que ao amor, só, se deve."
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Ver todas"Ser grande é abraçar uma grande causa."
"When we are born, we cry, that we are come To this great stage of fools."
"Soneto XLVII "Entre minha vista e meu coração estabeleceu-se um acordo, E agora cada qual faz ao outro um favor: Quando meu olho está faminto por um olhar, Ou o coração almejando amar com suspiros que ele mesmo abafa, Com o retrato do meu amor então a minha visão entra em festa, E ao banquete esboçado convida o coração: Assim, quer seja por teu retrato ou por meu amor, Estás, mesmo longe, presente sempre ainda comigo: Pois não estás mais distante que o alcance dos meus pensamentos, E eu estou unido a eles, e eles contigo; Ou se eles dormem, teu retrato na minha vista Desperta o meu coração para a alegria de vista e coração.""
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