"Hoje uma amiga minha veio dizer-me que estava lendo meus textos e que tinha se identificado com alguns deles. Senti uma pontadinha de orgulho de mim mesma, mas, logo em seguida, ao abrir a página em que publico os mesmos, senti não uma pontadinha, mas uma apendicite daquelas bravas, ao me dar conta que eu simplesmente não escrevi mais. Não escrevi mais. Olhando assim me parece assustador. Mas, consegui encontrar uma razão plausível, não compreensível, mas plausível para o causo. Minha vida tem sido feita de contas. Não sobram mais espaços para palavras. Faço contas todas as manhãs da semana durante dois semestres por ano na faculdade. Engenharia não é lá feita para aqueles amantes das palavras. Faço contas todas as tardes olhando para o relógio, diminuindo de 17h00min o horário em que me encontro. Faço contas de custos toda vez que compro algo muito caro, abrindo o site do Banco e vendo o extrato do cartão de crédito, diminuindo do limite total tudo que já gastei até agora. Faço as contas de quantos esporros vou ouvir da minha mãe por eu estar gastando mais do que minha bolsa de estudos cobre. Todos os dias da semana faço as contas de quantos dias faltam para o final de semana. E quando chega o final de semana, faço contas meio que não querendo fazer, pra ver quantas horas ainda me restam de final de semana. Todo domingo, faço contas de quantas horas vou precisar dormir pra conseguir acordar segunda feira e ir pra faculdade sóbria o suficiente para fazer contas e depois me manter acordada no trabalho fazendo as contas de quantas vezes minha chefe diz: por gentileza, dê uma olhadinha no e-mail que eu te encaminhei com um pedido relativo a reserva de carro para a visita técnica dos pesquisadores... bla bla bla (faço contas inclusive imaginando quanto tempo vai levar pra eu arranjar um estágio decente). Todos os minutos faço contas do tamanho da saudade que sinto do meu namorado, e faço contas pra saber quanto tempo ainda falta para chegar sexta feira pra gente poder ficar juntinho, e daí me lembro que nesse momento, começam as contas infelizes de quanto ainda sobra de tempo pra gente ficar junto, até chegar domingo a noite e eu ter que fazer as contas de quanto tempo eu vou precisar dormir para ficar de boa na segunda feira. Durante todos os almoços faço contas para correr contra o relógio e tentar aproveitar melhor os 45 minutos que tenho para comer, e faço contas também contra a balança calculando quantas daquelas calorias vão me fazer engordar. Agora mesmo é que estou assustada. Que vida de números, de contas e de tempo contado que tem sido a minha. Mas não é só a minha. Como diria meu professor de matemática do Ensino Médio, depois da escola, a vida diz "Bem vindo ao mundo dos adultos". E nesse mundo meu camarada, quem não faz contas, não sobrevive. Entretanto, para sobreviver a todas as contas que somos obrigados a fazer, precisamos buscar nas palavras de um amigo, de uma mãe, de um marido, de um namorado, de um filho, ou sei lá, do porteiro ou do motorista, enfim, palavras que nos dêm suporte para continuar tendo forças para não jogar as contas para o alto e não deixar a peteca cair. Nessas horas, uma palavra vale por mil números e mil contas de algorítimos ou então derivadas. É, acho que vou voltar a escrever."
Temas Relacionados
Mais de Kathlen Heloise Pfiffer
Ver todas"Versos trocados Pensei em várias formas de começar essa redação... Na verdade, acho que nunca fiquei tão nervosa quanto a fazer um texto antes. Parece que deu um branco na minha mente, as palavras parecem simplesmente terem sumido. Escrevi e reescrevi várias frases soltas, mas parece que nenhuma delas traduz em palavras realmente tudo o que eu quero te dizer... Mas então, no auge desse meu nervosismo de não saber usar frases e palavras, surgiu em minha mente algo que eu tenho certeza que seria um ótimo começo. Com certeza que você deve conhecer meus próximos versos; “Amar é lindo, gostar também, amar o mundo inteiro, e a nós também...” Mas eu aposto que já deves estar pensando: por Deus, eu aqui esperando A redação da minha filha, que já faz textos excelentes, que só tira dez nessa matéria, mas ela vem até mim com esse textinho mixuruco de pré-escola... Pois é mãe, acontece que eu não consigo ver nada melhor do que esse texto para, no dia de hoje, transmitir tudo que sinto por ti. Acontece que hoje, com meus dezessete anos, jovem, muito jovem é claro, vejo nestes versos algo muito além de uma simples rima. Hoje vejo com outros olhos o que há onze anos atrás eu escrevi num pedacinho de papel. Amar é lindo. O amor, o amor é o mais belo e raro sentimento que existe, é uma dádiva que o ser humano possui, de conseguir amar e ser amado. E isso mãe, eu devo a ti. Tu me ensinaste a amar, me ensinaste a respeitar, me ensinaste a dar valor à vida, aos amigos, aos familiares. E o mais importante de tudo: tu me deste amor. O amor mais singular que existe no mundo, o amor acolhedor, o amor que ensina, que provoca risos, lágrimas, que faz com que eu me sinta especial, protegida. Nos teus braços e no aconchego do teu colo eu sinto o verdadeiro amor, aquele que não existe em lugar algum da terra. Sinto amor em tuas palavras doces, em teus conselhos (que ultimamente têm me ajudado muito mais do que sequer tu imaginas), em tuas broncas, sim, e por que não? Se brigas comigo é porque me amas, e queres o meu bem. Está certo que na hora posso não gostar muito, mas logo passa, pois o amor que me dás em seguida cobre qualquer tipo de irritação. Gostar também. Mãe, tu me ensinastes a gostar das coisas mais inexplicáveis da vida. Conhece alguém, além de nós duas, que acorda, e vai pra geladeira comer aquela comidinha fria que sobrou do almoço? Ou que adora comer doce com salgado? Mas ainda mais importante, tu me ensinastes a gostar do doce da vida, e, também, a saber lidar com o amargo, com as dificuldades, me ensinou a gostar da vitória, a gostar de aprender, de buscar o novo, me ensinou a gostar de aproveitar cada fase que passo, e que ainda vou passar. Ensinou-me a sentir o gosto da vida, com suas doces e acolhedoras palavras. Amar ao mudo inteiro. Amar a vida, amar a família, amar a mim mesma. Mostrar esse amor. Toda vez que tu vinhas como uma leoa defender-me, ou que vinha voando toda vez que eu gritava ‘’manhêêê’’... Toda vez que deixaste de fazer algo pela minha felicidade, ou então que se sacrificaste para ver um sorriso em meu rosto. Todas as vezes que bolastes aquela surpresa, toda vez que correste atrás de mim para me encher de beijinhos e carinhos. Toda vez que dividiste comigo tuas angustias, teus medos, tuas felicidades. Todas as vezes que estavas do meu lado quando eu passava pelas mesmas coisas. Mostraste teu amor toda vez que me destes a mão e disse pra eu não me preocupar que tudo ia passar que logo as coisas voltariam ao normal. Mostrastes e mostras teu amor todo dia que chegas em casa cansada, e ainda assim vem a minha procura, carinhosa e meiga. Mostras teu amor dia a dia, e me ensinas a amar da mesa forma. E amar a nós também. Neste último verso, quero fazer na verdade aqui um pedido de desculpa. Por todas as vezes que não quis te ouvir, que fiquei chateada contigo, que bati o pé, todas as vezes que por algum motivo te decepcionei, quero pedir desculpas pelas grosserias, pelas cenas, pedir desculpas por muitas vezes exigir tempo demais teu, por as vezes pensar que vives em minha função. Quero pedir desculpas por muitas vezes não te dar o valor que realmente mereces, por não demonstrar o amor que sinto. Mas saiba de uma coisa; eu te amo, e muito. Amo mais que conseguiria amar qualquer outra coisa, qualquer outro alguém. A ligação que temos, é forte demais. É o mesmo sangue, a mesma carne. E nunca mãe, nunca quero que tenhas duvida alguma do meu amor por ti. Meu maior sonho, é que um dia, possas olhar pra mim já crescida, e pensar: “Que orgulho tenho da minha filha” E é por isso que tento melhorar a cada dia que passa, por isso que quero sucesso na vida, por isso que me esforço pra fazer a diferença. Para dar orgulho a quem me ensinou a ter garra, a ir a luta, a não desistir nunca. Agora, espero que toda vez que lembrares daqueles meus versinhos, daquelas mal traçadas linhas de onze anos atrás, veja o seu significado com outros olhos. Sei que não existem palavras suficientes pra descrever tudo que sinto por você, e mesmo que houvesse, ainda assim não seriam suficientes. Nosso amor é transcendente, está acima de tudo aqui. Espero que com essas palavras tenha conseguido te mostrar apenas uma fração de tudo que por ti sinto, de tudo que a ti sou agradecida. Escrever-te estas letras significam para mim muito mais do que te dar qualquer outro presente, pois isto aqui, vem do coração, vem com sinceridade, vem com amor. Feliz dia das mães. :)"
"Pra você eu faria um jantar, acenderia velas e compraria um bom vinho. te levaria pra praia, te faria uma massagem, te daria um cafuné. te compraria um chocolate, te daria um beijo e diria "durma bem". Com você eu faria planos, descobriria o novo (sem medo de me arrepender). eu seria mais flexível, mais compreensiva, mais amorosa. Eu perderia horas a fio jogando papo pro ar, imaginaria loucuras a nosso respeito, iria longe pra te encontrar. Só com você eu ficaria sem graça, perderia o rumo e mergulharia no infinito. Por você eu seria mais calma, inventaria um disfarce, mudaria meu ritmo. Eu iria até o céu, roubaria estrelas e faria nosso próprio esconderijo. Eu veria o sol nascer sem receio, perderia o medo do escuro e colocaria nossa foto num mural. E somente por você eu gostaria todos os dias da mesma pessoa. eu te entregaria minha amizade, meu coração, meu amor. te daria alegria, te daria prazer. eu te trataria bem, te contaria meus segredos, te diria qualquer coisa boba soh pra ouvir sua voz me censurando. te abraçaria pra esqucer de tudo, te faria um café forte, te traria pro meu mundo. e a única coisa que eu te pediria em troca, seria que me desse uma segunda chance. kety 15/12/2006"
"Às vezes eu me pergunto: pra que manter os pés no chão? Se o que eu quero é voar."
Autores Populares
Em busca de mais sabedoria?


