"Deixa secar no meu rosto Esse pranto de amor que a presença desatou Deixa passar o desgosto Esse gosto da ausência que me restou Eu tinha feito da saudade A minha amiga mais constante E ela a cada instante Me pedia pra esperar E foi tudo o que eu fiz, te esperei tanto Tão sozinho no meu canto Tendo apenas o meu canto pra cantar Por isso deixa que o meu pensamento Ainda lembre um momento a saudade que eu vivi A tua imagem fiel Que hoje volta ao meu lado E que eu sinto que perdi."
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Ver todas"Da morte apenas, nascemos imensamente."
"A brusca poesia da mulher amada (III) A Nelita Minha mãe, alisa de minha fronte todas as cicatrizes do passado Minha irmã, conta-me histórias da infância em que que eu haja sido herói sem mácula Meu irmão, verifica-me a pressão, o colesterol, a turvação do timol, a bilirrubina Maria, prepara-me uma dieta baixa em calorias, preciso perder cinco quilos Chamem-me a massagista, o florista, o amigo fiel para as confidências E comprem bastante papel; quero todas as minhas esferográficas Alinhadas sobre a mesa, as pontas prestes à poesia. Eis que se anuncia de modo sumamente grave A vinda da mulher amada, de cuja fragrância já me chega o rastro. É ela uma menina, parece de plumas E seu canto inaudível acompanha desde muito a migração dos ventos Empós meu canto. É ela uma menina. Como um jovem pássaro, uma súbita e lenta dançarina Que para mim caminha em pontas, os braços suplicantes Do meu amor em solidão. Sim, eis que os arautos Da descrença começam a encapuçar-se em negros mantos Para cantar seus réquiens e os falsos profetas A ganhar rapidamente os logradouros para gritar suas mentiras. Mas nada a detém; ela avança, rigorosa Em rodopios nítidos Criando vácuos onde morrem as aves. Seu corpo, pouco a pouco Abre-se em pétalas... Ei-la que vem vindo Como uma escura rosa voltejante Surgida de um jardim imenso em trevas. Ela vem vindo... Desnudai-me, aversos! Lavai-me, chuvas! Enxugai-me, ventos! Alvoroçai-me, auroras nascituras! Eis que chega de longe, como a estrela De longe, como o tempo A minha amada última!"
"Chega de Saudade Vai, minha tristeza, e diz a ela Que sem ela não pode ser Diz-lhe, numa prece, que ela regresse Porque eu não posso mais sofrer Chega de saudade, a realidade é que sem ela Não há paz, não há beleza É só tristeza e a melancolia Que não sai de mim, não sai de mim, não sai Mas, se ela voltar, se ela voltar Que coisa linda, que coisa louca Pois há menos peixinhos a nadar no mar Do que os beijinhos que eu darei na sua boca Dentro dos meus braços Os abraços hão de ser milhões de abraços Apertado assim, colado assim, calado assim Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim Não quero mais esse negócio de você viver assim Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim"
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