Voltar para o início

"Pela primeira vez a menina se sentiu livre. Livre de todo sentimento que a manteve presa durante muito tempo. Pela primeira vez a menina conseguiu respirar fundo e, sem vergonha nenhuma, chorar sem medo do que os outros podiam pensar. Ela saiu de lá, nem sentia os passos. Mas saiu feliz. Durante todo aquele tempo ela pensava que jamais a vida lhe daria outra oportunidade, que seria daquele jeito e que ela amou tudo o que podia amar, e já não restava mais nada. E, naquela hora, ela descobriu que estava redondamente enganada. E foi esse o motivo de toda a sua alegria. De todas as lágrimas, e de todas as canções cantaroladas durante o caminho de volta pra casa. O calor já nem importava tanto assim, o que importava realmente era o sentimento que ela tinha acabado de descobrir que sentia. Sim, de descobrir, porque ela já o sentia há tempo, mas não sabia. Ela precisava ver, ouvir e não sentir, pra ter certeza. A menina agora não estava mais presa, a lagarta finalmente virou borboleta e saiu de todo aquele drama que a acompanhava e atormentava suas noites enquanto ela tentava admirar a lua. Agora ela está bem, e sem se preocupar se esse sentimento todo é pra sempre. Ela só quer viver o hoje e, se amanhã não existir mais nada, ela será grata. Será grata a esse amor que chegou e que a libertou sem que ela percebesse. Que fez do som dos seus passos música, e a menina não notou a presença do amor, que foi sutil demais, sem querer assustá-la e a prendeu no abismo dos olhos castanhos, já que ela querendo se salvar do amor, se prendeu a uma pétala, dentro do abismo, e aí já não havia volta. E foi a melhor viagem que ela poderia ter feito... A menina quer ser a tua paz, quer que você volte logo. Ela quer te precisar, sem exigências. A menina não quer te fazer mal. Não quer pedir mais do que você tem, assim como não vai dar mais do que dispõe, por limitação humana. Mas o que a menina tem, é seu. E, se bem cuidado, é seu pra sempre. Pra sempre."

Compartilhar agora

Temas Relacionados

Mais de Mayara Freire

Ver todas

"“[...], jamais houve na humanidade um tempo em que predominou tanta vaidade.” Além da minha certeza de que o mal do ser humano seja não pensar, também percebi que o ser humano anda vaidoso demais. O orgulho virou moda. Mania que as pessoas tem de achar que o perdão é inútil, que não vale à pena, e que se formos algum dia magoados não devemos, em hipótese alguma, perdoar. Eu também aprendi a exalar o mesmo perfume que a violeta deixa no sapato que a pisa. E toda essa vaidade e orgulho por que de uns tempos pra cá passamos a viver a mercê de pessoas que se dizem soberanas e que querem nos manipular por seus belos discursos e filosofias totalmente fora dos princípios básicos mas, por status, acaba ganhando a confiança de um bocado de gente. É só prestar atenção em circunstâncias diárias na nossa vida. Vê-se pelas meninas nos colégios: se a menina da Malhação começa a usar um lenço amarrado no calcanhar, na semana seguinte, todas as meninas do colégio também estarão usando. Nada contra a essas modinhas, eu mesma já cai em muitas delas. Mas, já presenciei meninas que sempre acharam o tênis All Star feio e depois que viu na Malhação passou a usar. Nada contra a Malhação, também. INFLUÊNCIAS. Assim acontece na escola, na rua, no clube, na academia, na roda de amigos. Ninguém se valoriza como é, segue seus princípios, é teimoso em assumir a verdade que traz consigo, que aprendeu com quem sempre esteve ao seu lado ensinando tudo sobre a vida. Não... Ficou mais fácil aprender com os amigos, ficou mais fácil aprender na rua, ou, sozinho. Ficou mais fácil viver sem opinião, é mais divertido se matar aos poucos, se acabar aos poucos. É muito mais fácil ser manipulado, não perder tempo pensando, receber ordens e nunca quebrar as regras. “Não ouça, não pense, não fale, não cante, não sinta... Apenas finja, obedeça, siga o que eu digo.” Todo mundo aprendeu a mentir o que realmente é, ou melhor, a OMITIR. Fica mais fácil esconder os traumas e negar a cura, esconder o amor e negar um bom momento, fingir amar e pensar estar seguro. Lutar pelo amor verdadeiro exige inteligência, esforço e muito amor, muita dedicação. É mais fácil comer chocolate em frente à TV que perder horas se dedicando aquilo que você realmente se importa. Mentir o que sente, o que ouve, o que vê, o que quer falar. Mentir é mais fácil, mais cômodo. Quando se fala a verdade, aquilo passa a ser eterno e, mais tarde, pode ser cobrado da gente. Temos prazer em mentir, prazer em enganar, prazer em inventar uma história. Nos sentimos criativos, maiores que qualquer outra pessoa. Mas, também mentimos por medo de dizer a verdade. Quando aqueles olhos encontram os nossos, não conseguimos encarar, a única escapatória é baixar os olhos e mentir. Mentir parece afugentar o nosso eu verdadeiro, a felicidade que teima em vir depois de um sofrimento, de uma luta travada entre a razão, coração, e mais uma centena de sentimentos. “Finja que acredita que os sentimentos são lâminas cegas esterilizadas que cortam sua pele superficialmente sem jamais atingir sua alma.” Finja que o amor não é essencial pra você, que você está bem assim. Contente-se em mentir todos os dias para o espelho que você é feliz, que o “ontem” da sua vida já está resolvido, que os seus traumas estão curados, ou melhor, nunca existiram. Minta todos os dias pra você mesmo que você não dormiu com vontade, que não acordou arrependido, que não quis sair correndo e pular nos braços dele. Minta, dói menos. Dói menos até você descobrir que dói. Vendo uma reportagem sobre anorexia, a moça disse: “A pior parte da doença é quando a gente descobre que a tem, parece doer mais... Mas, só assim podemos nos curar de verdade.” Você só vai ser feliz quando descobrir que você é um mentiroso, um fraco, que sempre se negou a se mostrar como você é, esse alguém guardado numa gaveta aí em algum canto, escondido debaixo de alguns papéis e fotografias. Quando descobrir, vai doer demais olhar pra dentro de si e ver o quanto toda essa mentira te destruiu, quanto afastou as pessoas que sempre te amaram e que você sempre amou, mesmo mentindo as odiar. Vai doer olhar pra trás e ver como o tempo passou rápido enquanto você se enclausurava dentro de si mesmo, à espera de alguma coisa que nunca apareceu, porque essa coisa também era uma mentira. Você vai exigir da sua alma um pouco mais de sinceridade, vai tentar correr atrás pra descobrir se é tarde demais e, se for, vai esperar que a esperança de novas chances nasça dentro de você. E, na pior das hipóteses, ir pra um ranchinho, perto de uma cachoeira, passar o resto dos dias vivendo a verdade da vida, conhecendo-se. Até você ter coragem de se olhar no espelho novamente e dizer: “Agora eu sou feliz.”"

"É necessário mais coragem para escrever do que para falar. A escrita nasce no momento em que está sendo lida... E, particularmente, eu sempre gostei de saber disso - mesmo não escrevendo com tanta frequência ultimamente. Eu não tenho tido muito tempo de vir postar sobre coisas corriqueiras como o susto que tomei hoje saindo do conservatório - antes disso - , da música linda de Vivaldi que ouvi um professor ensaiando hoje. Nem tenho tido muito tempo pra falar sobre os meus dias corridos e os que insistem em passar lentamente diante dos meus olhos, sobre amizade que fiz e que tem se mantido em pé apesar das tempestades e chuvas torrenciais. O cheiro das árvores que estão no caminho que faço todos os dias, e como tem sido incrível encontrar o meu bem todos os finais de semana - apesar de não termos muito tempo pra gente sempre, mas o simples fato de nos termos por perto deixa minha alma em paz. Eu, sinceramente, preciso voltar a escrever as besteiras de sempre, falar sobre o meu dia, deixar a preguiça dos dedos de lado e contar... Deixar que a escrita nasça enquanto alguém que eu nem faço ideia a lê lentamente, ouvindo uma boa música, ou então curtindo o silêncio de uma noite serena. Mas hoje eu estou aqui escrevendo porque me sinto transbordar... Porque eu vivi os dois anos mais incríveis de toda a minha vida e finalmente sinto que completei o quebra-cabeça que tanto me quebrou a cabeça durante toda a minha adolescência. Eu sempre te disse, Tharsis, em diversos momentos, o exato momento em que eu soube que era pra sempre, que nós somos pra sempre. E acho que te deixei confuso... Porque até hoje existem momentos que me fazem ter a certeza do 'pra sempre' entre a gente. Você me fez viver tantas coisas inesperadas. Eu tinha tanto medo de viver no rascunho, afinal, eu vivia me preparando pra vida e nada do que eu planejei aconteceu. Você veio e me virou do avesso, me mostrou que eu podia continuar sendo eu e você me amaria mesmo assim. Hoje, enquanto eu voltava pra casa, pensei em nós e no quanto você me segurou durante esses dois anos. Não caberia em um livro tudo o que vivemos... E eu percebi, mais uma vez, que se não fosse você me emprestando seu ombro, sendo meu melhor amigo, apertando as minhas mãos quando senti medo, me olhando nos olhos quando eu quis desistir... Se não fosse você ao meu lado, com a sua voz mansa e carregada de um sotaque só seu, eu nem sei o que teria sido de mim e dos meus joelhos fracos. Por tantas vezes eu te olhei com olhos marejados e sussurrei que estava cansada, que queria desistir, mas você sempre fez renascer em mim o desejo de recomeçar. Já dizia meu avô que a saudade engana tão bem que às vezes pode parecer que é amor. E durante os 18 meses que ficamos longe um do outro eu tive medo todos os dias de que a saudade estivesse nos enganando... E quando você veio de vez, veio pra ficar, pra me ver sempre, pra morar aqui perto, eu descobri que a saudade só nos ajudou durante todo esse tempo. E pensar que eu nem sei como foi que eu suportei todo aquele tempo longe de você. Mas só nos fez mais fortes, mais unidos. E eu te amo por isso e muito mais. Você não desistiu, não reclamou da intensidade, não desfez dos meus dramas e manias. Obrigada por ainda olhar o céu comigo, acreditar que eu converso com a lua e me falar coisas tão lindas todas as noites. Se lembra de quando você me mandou essa imagem? Eu me apaixonei por você, meu cientista, e é lindo poder ver as estrelas através dos seus olhos e de toda a sabedoria que Deus te deu. No dia que você me mandou essa imagem eu não entendi lhufas, mas através de cada pontinho branco desse que insiste em brilhar no céu, eu pude ver o seu amor. Amar você me fez ouvir e entender estrelas, e por isso eu transbordo de amor todos os dias. Obrigada por ter me esperado e ainda me esperar por esses dois anos. Obrigada por me entender, me respeitar e me amar do seu jeitinho que me encanta todos os dias. Obrigada pelos abraços que viraram colo, confissão. Você correu pra me encontrar, me esperou em vários lugares, só pra eu me aconchegar nos teus braços e chorar tudo o que eu tinha pra chorar. Eu esperei 19 anos por você, pela pessoa que oraria junto comigo nas madrugadas, que me motivaria a continuar independentemente da situação. Esperei pelo seu abraço, pelos seus olhinhos pequenos marejados, pelas diversas vezes que choramos abraçados pensando que não conseguiríamos suportar a despedida. Eu não sei me despedir de você. Eu sempre tento estender o abraço, o beijo... Nunca fui preparada para me despedir de você e nem serei. Mas estamos aqui, amor. Conseguimos. E como nós mesmo sussurramos todas as noites: "O nosso dia está chegando e aí não precisaremos mais de despedidas." E eu quero dizer, amor, entre tantas palavras e melismas que eu estou aqui, te esperando, como desde antes mesmo de nos conhecermos. Que eu só quero te fazer feliz sempre, segurar a sua mão e enfrentar o que tiver de ser, porque quem escreveu a nossa história está conosco. Ele é fiel e é por isso que estamos aqui, sonhando mais do que nunca, esperando no que sequer conseguimos ver apontar no horizonte... Mas sabemos que é nosso, que está vindo. Eu te amo porque ligamos um pro outro de noite só pra ficarmos em silêncio, esperando o outro pegar no sono. Te amo porque você me ajuda a cuidar das minhas plantas e entende meu amor por elas - mesmo eu não tendo a mão boa pra cuidar delas. Te amo porque você consegue ouvir a música que toca dentro de mim e que me faz dançar todos os dias. Porque você faz a melhor limonada do mundo. Porque só você sabe o jeito certo de cuidar de mim, de fazer a minha cólica passar, de me entregar o chocolate certo na hora certa. Te amo porque lê meus textos, entende minhas manias e respeita cada uma delas. Te amo porque você me olha enquanto durmo e me acorda me enchendo de mimos, te amo porque você acha meus joelhos tortos bonitos e não implica com a minha mania de mudar de esmalte sempre. Te amo quando você ouve jazz ou coloca reggae só pra me irritar. Te amo quando você me irrita, finge que não me ouve, pede pra eu explicar de novo, me troca pelo Flamengo ou por uma matéria qualquer do Tecnoblog. Te amo quando você sorri e eu mordo as covinhas da sua bochecha, te amo quando você me beija, te amo quando você me aperta. Te amo porque estudar música me faz pensar em você, porque quando componho eu penso em você. Te amo quando você me inspira. Te amo mais ainda - e nesse momento, sinto tudo aqui dentro de mim virar do avesso e meus olhos marejam - porque você me conhece. Conhece o meu olhar, sabe ler aqui dentro, você enxerga bem depois da íris. Sabe quando a palavra me dói, quando lembrar do passado já é insuportável. Você sabe como é dolorido pra mim ter que abraçar algumas pessoas, cumprimentar outras e até conviver com outras. E se não fosse esse seu olhar cúmplice, esse abraço acolhedor, eu não teria enfrentado nada daquilo. Você sabe mais de mim do que eu mesma, sabe do que eu gosto, sabe do meu jeito simples de ver as coisas e da minha inconstância. Obrigada por nunca ter reclamado da minha inconstância. Obrigada pelas noites que passou em claro depois que tive um pesadelo, pelas palavras de conforto que me ajudaram a perder o medo de viver do jeito intenso que tenho vivido. Obrigada pelos passeios, pelos lanches no McDonald's, pelos sorvetes, chocolates e fins de tarde cheio de amor. Obrigada pelos presentes, por toda a sua dedicação em me agradar, me fazer bem. Você é lindo comigo. E eu te amo mais que a mim. Eu sou doida, amor. Você sabe que sou. Vou ao mercado de pijamas, tomo banho de mangueira no frio, limpo o fogão descalça, mexendo com água e com ele na tomada, sempre me queimo com a cola quente, mudo a temperatura do chuveiro batendo com o rodo, brigo com a atendente do Ragazzo quando ela diz saber tudo sobre mim, sou estressada e quando estou nervosa não meço palavras. Hoje digo que vou bordar todo o nosso enxoval, amanhã digo que vou comprar tudo pronto. Hoje digo que vou aprender tricô, amanhã nem quero mais saber. Hoje estou querendo, amanhã não quero mais. Mas a minha maior loucura é querer você. E essa loucura nunca esteve a mercê da minha inconstância porque eu te guardei aqui dentro no meu sagrado, e ele é intocável. Nos pertencemos. Te amo quando volto pra casa com você, quando faço compras com você, quando caminho com você. Mas eu te amo mais ainda quando deito em seu ombro e me encaixo tão perfeitamente que fico sonolenta e o mundo gira bem devagar. Nessa hora tudo poderia parar e eu ficaria ali eternamente. Eu ficaria aqui por meses dizendo quando e porque te amo tanto assim, e penso em você tanto assim. Eu sempre digo que, antes de você, eu me imaginava com qualquer pessoa. Mas depois de você isso ficou impossível, porque você completou o que faltava, me encheu de vida e me fez sorrir novamente."

"O pescador nunca está só e por mais que ele saiba que o rio e a canoa sabem muito mais que ele, ele ainda é viciado em bons momentos e não vai deixar nunca de levar os detalhes consigo para fazer deles um balão de oxigênio quando o ar lhe faltar. Simplesmente. TRECHO DE: RIO E CANOA"

Autores Populares

Em busca de mais sabedoria?