"Não Me Sinto Mudar Não me sinto mudar. Ontem eu era o mesmo. O tempo passa lento sobre os meus entusiasmos cada dia mais raros são os meus cepticismos, nunca fui vítima sequer de um pequeno orgasmo mental que derrubasse a canção dos meus dias que rompesse as minhas dúvidas que apagasse o meu nome. Não mudei. É um pouco mais de melancolia, um pouco de tédio que me deram os homens. Não mudei. Não mudo. O meu pai está muito velho. As roseiras florescem, as mulheres partem cada dia há mais meninas para cada conselho para cada cansaço para cada bondade. Por isso continuo o mesmo. Nas sepulturas antigas os vermes raivosos desfazem a dor, todos os homens pedem de mais para amanhã eu não peço nada nem um pouco de mundo. Mas num dia amargo, num dia distante sentirei a raiva de não estender as mãos de não erguer as asas da renovação. Será talvez um pouco mais de melancolia mas na certeza da crise tardia farei uma primavera para o meu coração."
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Ver todas"Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca idéias."
"Nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas nunca o teu riso, porque então morreria."
"Acontece Bateram à minha porta em 6 de agosto, aí não havia ninguém e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira e transcorreu comigo, ninguém. Nunca me esquecerei daquela ausência que entrava como Pedro por sua causa e me satisfazia com o não ser, com um vazio aberto a tudo. Ninguém me interrogou sem dizer nada e contestei sem ver e sem falar. Que entrevista espaçosa e especial! (Últimos Poemas)"
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