"Apenas mais uma carta Não acredito em despedidas programadas, em último beijo ou em bilhete de adeus. Quanto menos remoemos a mágoa da separação melhor, cada um no seu canto, cada um com seus argumentos e verdades, sejam eles sinceros ou não. Portanto, essa é mais uma daquelas cartas que escrevo sem a intenção de enviar, uma carta que você nunca vai receber. Antes de tudo preciso lhe agradecer por tornar nossa despedida muito mais fácil para mim. Se antes você mudava e alegrava o meu dia pelo simples fato de estar por perto, hoje você me perturba com seus rancores, me incomoda com suas loucuras e me entristece com suas tantas verdades omitidas durante todo o tempo em que estivemos lado a lado. Obrigada por ter me feito acreditar que você era diferente de todos os outros homens, obrigada pelo amor que você me fez crer que sentia por mim. Obrigada pelo tempo em que vivi iludida e feliz, pelos anos em que eu confiei em você e no seu amor sem fim. Mas muito obrigada mesmo por agora me fazer enxergar que nada disso existiu, que eu estive sozinha quando pensei estar com você. Obrigada por me mostrar que eu não perdi nada pelo simples fato de que não posso manter comigo algo que nunca foi meu. A verdade é que não posso lhe culpar por nenhuma das minhas penas. Se você fez o que quis de mim e mudou o rumo da minha vida foi porque eu permiti. Você nunca me pediu nada e eu sempre lhe dei tudo, já que era o único jeito de ficarmos juntos. E como eu queria viver perto de você. Uma lástima que eu tenha percebido tarde demais que o amor precisa de dois para acontecer e que sozinha eu acabaria cedo ou tarde ficando pelo caminho, uma pena que eu tenha avistado o fim da estrada apenas quando o alcancei. Se eu tivesse aberto um pouco antes meus olhos talvez o choque fosse menor, talvez agora eu estivesse melhor preparada para lidar com tantas decepções. Talvez. Dessa minha carta sem destino, só quero que você guarde uma coisa: muito obrigada. Obrigada por me mostrar a cada nova atitude que você não é nada daquilo que imaginei."
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Mais de Márcia Duarte
Ver todas"Olhos marejados Sempre agi por impulso, sem qualquer dúvida ou remorso. Sempre fui firme quanto ao que falar ou fazer. Meu comportamento sempre dependeu do meu humor, das minhas vontades, e por mais que nem todas as minhas escolhas tenham sido acertadas, isso justificava e me deixava livre de qualquer arrependimento. Entretanto, nesses últimos dias mal posso reconhecer a menina que miro de relance no espelho. A menina que tenho evitado encarar. Tanta coisa eu preciso dizer, tanta coisa quero fazer. Sentimentos suplicam para sair de dentro de mim. Tudo que eu quero guardar e esquecer que algum dia eu já quis colocar para fora. Escrevo rascunhos todos os dias. Rabiscos imaginários de cartas que nunca colocarei no papel, esboços de e-mails e mensagens de celular que prefiro colocar na caixa de não enviadas a apertar o botãozinho verde que as encaminhariam ao seu destinatário. Às vezes temos tanto a dizer, tanto a demonstrar, que nenhuma palavra parece ser mais eficaz do que o silêncio. Às vezes olhos marejados de lágrimas dizem mais do que páginas e mais páginas de texto."
"Se você soubesse Se você soubesse como meu rosto se ilumina quando ouço seu nome. Se você percebesse o meu coração em disparada cada vez que eu falo ou penso em você. Se você pudesse ver o brilho dos meus olhos ou os sorrisos e gargalhadas que saem sem querer enquanto caminho sozinha pela rua. Se você imaginasse como viajo em meus pensamentos ao relembrar nossos momentos do ano ou da noite passada. Se você soubesse como é gostoso ter a certeza de que vou encontrá-lo no final do dia. Se você sentisse o frio que percorre o meu corpo quando penso que logo mais seremos só você e eu. Se você percebesse o quanto eu amo você, como eu amo amar você. Se você sonhasse que basta a sua companhia, o seu carinho ou o seu jeito único de ser romântico para me fazer a mulher mais feliz do mundo. Eu só queria que você soubesse."
"Hoje Hoje eu estou rindo à toa. Engana-se quem pensa que é por estar absolutamente feliz, a felicidade vai e vem. Simples assim. Se eu rio é para disfarçar a minha surpresa. De repente ficou tudo tão esquisito. Hoje ela disse que me perdoa, que tem um bom coração, uma mente evoluída. Mas quem pediu para ser absolvido? Só pode ser piada. Não pretendo posar de vítima, mas estou longe, bem longe, de ter que carregar essa culpa. Hoje ele perguntou o que aconteceu, o que eu fiz ou deixei de fazer. Acho que ele pensa que eu o enganei o tempo todo e onde foram parar meus argumentos quando preciso me defender? Sumiram, estou sozinha. As minhas poucas palavras contra as dele. A minha consciência tranqüila. Hoje eu não quero entender ou ser compreendida. Não quero ser triste nem feliz. Nem condenada nem inocente. Hoje eu só quero ter você aqui comigo. Deite no meu colo e não me pergunte nada. Confie em mim."
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