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"O laudo psiquiátrico - É a primeira vez no consultório? - Sim. - Você fuma? - Não. - Você ingere bebidas alcoólicas? - De vez em quando. - Faz uso de algum medicamento controlado? - Não. - Sente as mãos trêmulas, palpitações, boca seca, dificuldade em respirar? - Sim. - Tem dificuldades para dormir? - Sim. - Amanhece cansada, confusa e com ressaca moral? - Sim. - É usuária de drogas? - Sim. - Que tipo de droga? - O amor. E amar é uma droga."

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"Há momentos em que a única solução é partir. Partir não por covardia, mas partir porque é melhor recomeçar do nada, que não ter sequer o nada para recomeçar..."

"Eu sou mesmo assim...Um emaranhado de incógnitas que não suporta se curvar ao domínio das dúvidas, das obrigações, do tem que ser, do deve ser! Não são essas certezas infundadas que me dão tesão em descobrir quem sou eu de verdade...E como sei que sou um vulcão em erupção, prefiro me desvendar aos poucos, lentamente, para não me ferir e não ferir ninguém...Essa é uma das únicas certezas que tenho! Talvez infundada também..."

"- Sabe que não dói mais como antes? – disse-me ela, fixando o olhar em um ponto oposto ao meu, na tentativa de não ter sua evasiva analisada por mim. E continuou a se enganar. Saiu com os amigos, dançou, pulou, sorriu, falou alto, exorcizou os demônios, se indispôs com alguns anjinhos, se sentiu livre, feliz... Feliz? Quase feliz... O fato é que dali a alguns dias, o telefone começa a tocar... Opa! Admirador na área! A vida seguia seu rumo. Afinal, essa é a ordem natural das coisas, não é mesmo? A palidez de seu olhar, entretanto, denunciava a ausência de emoção em sua voz, por mais que se esforçasse gentil... Mais alguns dias, e um bouquet à porta... - Puxa vida! Deve ter custado uma nota! Ela não reparou na beleza das flores cuidadosamente escolhidas e arranjadas por debaixo de um belo cartão enviado... Rosas vermelhas! Mas rosas que não exalavam cheiro de amor, não lhe representavam nada, muito diferente daquele bouquet recebido meses atrás, no dia de seu aniversário... Mesmo assim, recebeu, agradeceu e sorriu, com direito a sufocar toda dor que sentia naquele momento... Foi aí que a realidade lhe caiu à cabeça... Na verdade, ainda doía. Na verdade, ainda não tinha passado. Na verdade, ainda estava em carne viva! Então ela percebeu que ele tinha mesmo ficado, ficara em forma de ferida, que com o tempo se tornaria uma cicatriz. Por enquanto, ainda estava visível... E por isso, as pessoas se afastavam com medo de se machucarem também, e outras, queriam curá-la, algumas até mesmo escondendo a própria cicatriz, pequenina com o passar dos meses... Ela sabia que um dia a sua cicatriz também se reduziria, seria levada para outra parte do corpo, talvez para um lugar que não mais lhe incomodasse ou pudesse ser vista à olho nu. Porém, ela continuaria ali, contornada pelas lembranças que se fixam à pele como se dela fosse parte... E ainda que outra pessoa a fizesse sorrir, vez ou outra, a cicatriz seria apontada, questionada, encontrada... Mas ela sabia que ele também carregaria a mesma cicatriz... E mesmo que outra pessoa o fizesse sorrir, ela continuaria ali, marcada em seu corpo, tatuada à pele, fazendo parte dela... E se algum dia não fosse mais encontrada, ainda assim ela estaria ali, tatuada à alma, uma cicatriz na alma, completamente impassível e imune à qualquer tratamento de cura..."

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