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"Essa moça tá diferente, já não me conhece mais. Está pra lá de pra frente, está me passando pra trás. Essa moça tá decidida a se supermodernizar. Ela só samba escondida que é pra ninguém reparar. Eu cultivo rosas e rimas achando que é muito bom. Ela me olha de cima e vai desiventar o som. Faço-lhe um concerto de flauta e não lhe desperto emoção. Ela quer ver o astronauta descer na televisão. Mas o tempo vai, mas o tempo vem. Ela me desfaz. Mas o que é que tem? Que ela só me guarda despeito, que ela só me guarda desdém. Mas o tempo vai. Mas o tempo vem. Ela me desfaz. Mas o que é que tem? Se do lado esquerdo do peito, no fundo, ela ainda me quer bem. Essa moça é a tal da janela que eu me cansei de cantar. E agora está só na dela, botando só pra quebrar."

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"Roda mundo, roda gigante Roda moinho, roda pião O tempo rodou num instante Nas voltas do meu coração..."

"Construção Amou daquela vez como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a última E cada filho seu como se fosse o único E atravessou a rua com seu passo tímido Subiu a construção como se fosse máquina Ergueu no patamar quatro paredes sólidas Tijolo com tijolo num desenho mágico Seus olhos embotados de cimento e lágrima Sentou pra descansar como se fosse sábado Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago Dançou e gargalhou como se ouvisse música E tropeçou no céu como se fosse um bêbado E flutuou no ar como se fosse um pássaro E se acabou no chão feito um pacote flácido Agonizou no meio do passeio público Morreu na contramão atrapalhando o tráfego Amou daquela vez como se fosse o último Beijou sua mulher como se fosse a única E cada filho seu como se fosse o pródigo E atravessou a rua com seu passo bêbado Subiu a construção como se fosse sólido Ergueu no patamar quatro paredes mágicas Tijolo com tijolo num desenho lógico Seus olhos embotados de cimento e tráfego Sentou pra descansar como se fosse um príncipe Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo Bebeu e soluçou como se fosse máquina Dançou e gargalhou como se fosse o próximo E tropeçou no céu como se ouvisse música E flutuou no ar como se fosse sábado E se acabou no chão feito um pacote tímido Agonizou no meio do passeio náufrago Morreu na contramão atrapalhando o público Amou daquela vez como se fosse máquina Beijou sua mulher como se fosse lógico Ergueu no patamar quatro paredes flácidas Sentou pra descansar como se fosse um pássaro E flutuou no ar como se fosse um príncipe E se acabou no chão feito um pacote bêbado Morreu na contramão atrapalhando o sábado"

"Quando nasci veio um anjo safado O chato dum querubim E decretou que eu estava predestinado A ser errado assim Já de saída a minha estrada entortou Mas vou até o fim"

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