Voltar para o início

Temas Relacionados

Mais de Clarice Lispector

Ver todas

"E eu estava só. Sem precisar de ninguém. É difícil porque preciso repartir contigo o que sinto."

"Mas como me reviver? Se não tenho uma palavra natural a dizer. Terei que fazer a palavra como se fosse criar o que me aconteceu? Vou criar o que me aconteceu. Só porque viver não é relatável. Viver não é vivível. Terei que criar sobre a vida. E sem mentir. Criar sim, mentir não. Criar não é imaginação, é correr o grande risco de se ter a realidade. Entender é uma criação, meu único modo. Precisarei com esforço traduzir sinais de telégrafo - traduzir o desconhecido para uma língua que desconheço, e sem sequer entender para que valem os sinais. Falarei nessa linguagem sonâmbula que se eu estivesse acordada não seria linguagem. Até criar a verdade do que me aconteceu. Ah, será mais um grafismo que uma escrita, pois tento mais uma reprodução do que uma expressão. Cada vez preciso menos me exprimir. Também isto perdi? Não, mesmo quando eu fazia esculturas eu já tentava apenas reproduzir, e apenas com as mãos."

"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir De entrar em contato... Ou toca, ou não toca. E, se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena! Que minha solidão me sirva de companhia Que eu tenha a coragem de me enfrentar Que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome"

Autores Populares

Em busca de mais sabedoria?