"Versos Íntimos Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a Ingratidão – esta pantera – Foi tua companheira inseparável! Acostuma-te à lama que te espera! O Homem, que, nesta terra miserável, Mora entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera. Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja. Se a alguém causa inda pena a tua chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga, Escarra nessa boca que te beija!"
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Ver todas"Ave dolorosa Ave perdida para sempre - crença Perdida - segue a trilha que te traça O Destino, ave negra da Desgraça, Gêmea da Mágoa e núncia da Descrença! Dos sonhos meus na Catedral imensa Que nunca pouses. Lá, na névoa baça Onde o teu vulto lúrido esvoaça, Seja-te a vida uma agonia intensa! Vives de crenças mortas e te nutres, Empenhada na sanha dos abutres, Num desespero rábido, assassino... E hás de tombar um dia em mágoas lentas, Negrejadas das asas lutulentas Que te emprestar o corvo do Destino!"
"Ah! Dentro de toda a alma existe a prova De que a dor como um dartro se renova, Quando o prazer barbaramente a ataca..."
"Debaixo do tamarindo No tempo de meu Pai, sob estes galhos, Como uma vela fúnebre de cera, Chorei bilhões de vezes com a canseira De inexorabilíssimos trabalhos! Hoje, esta árvore de amplos agasalhos Guarda, como uma caixa derradeira, O passado da flora brasileira E a paleontologia dos Carvalhos! Quando pararem todos os relógios De minha vida, e a voz dos necrológios Gritar nos noticiários que eu morri, Voltando à pátria da homogeneidade, Abraçada com a própria Eternidade, A minha sombra há de ficar aqui!"
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