"Estava explicado por que gamei: qual a mulher que não tem uma quedinha por cafajestes?"
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Ver todas"O egoísmo unifica os insignificantes."
"sou uma mulher mais ou menos abandonada um pouco me dou o direito um pouco aconteceu assim às vezes cansa ser independente hoje me sustente não me deixe me alimente quero alguém para pentear meus cabelos sou uma mulher mais ou menos maltratada um pouco por descuido um pouco por querer gosto da impressão esfomeada às vezes cansa ser milionária quero sair das páginas dos jornais hoje me adote me faça um carinho deboche me ponha no colo e abotoe minha blusa me faça dormir e sonhar com o mocinho sou uma mulher mais ou menos alucinada um pouco foi o acaso um pouco é exagero hoje me expulse se irrite me bata diga abracadabra e me faça sumir às vezes cansa ser louca demais mas gosto do medo que sentem de se envolver com uma mulher assim hoje quero alguém mais ou menos apaixonado por mim"
"A prisão de cada um Martha Medeiros O psiquiatra Paulo Rebelato, em entrevista para a revista gaúcha Red 32, disse que o máximo de liberdade que o ser humano pode aspirar é escolher a prisão na qual quer viver. Pode-se aceitar esta verdade com pessimismo ou otimismo, mas é impossível refutá-la. A liberdade é uma abstração. Liberdade não é uma calça velha, azul e desbotada, e sim, nudez total, nenhum comportamento para vestir. No entanto, a sociedade não nos deixa sair à rua sem um crachá de identificação pendurado no pescoço. Diga-me qual é a sua tribo e eu lhe direi qual é a sua clausura. São cativeiros bem mais agradáveis do que o Carandiru: podemos pegar sol, ler livros, receber amigos, comer bons pratos, ouvir música, ou seja, uma cadeia à moda Luis Estevão, só que temos que advogar em causa própria e hábeas corpus, nem pensar. O casamento pode ser uma prisão. E a maternidade, a pena máxima. Um emprego que rende um gordo salário trancafia você, o impede de chutar o balde e arriscar novos vôos. O mesmo se pode dizer de um cargo de chefia. Tudo que lhe dá segurança ao mesmo tempo lhe escraviza. Viver sem laços igualmente pode nos reter. Uma vida mundana, sem dependentes para sustentar, o céu como limite: prisão também. Você se condena a passar o resto da vida sem experimentar a delícia de uma vida amorosa estável, o conforto de um endereço certo e a imortalidade alcançada através de um filho. Se nem a estabilidade e a instabilidade nos tornam livres, aceitemos que poder escolher a própria prisão já é, em si, uma vitória. Nós é que decidimos quando seremos capturados e para onde seremos levados. É uma opção consciente. Não nos obrigaram a nada, não nos trancafiaram num sanatório ou num presídio real, entre quatro paredes. Nosso crime é estar vivo e nossa sentença é branda, visto que outros, ao cometerem o mesmo crime que nós - nascer - foram trancafiados em lugares chamados analfabetismo, miséria e exclusão. Brindemos: temos todos, cela especial."
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