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"A Felicidade Tristeza não tem fim Felicidade sim A felicidade é como a pluma Que o vento vai levando pelo ar Voa tão leve Mas tem a vida breve Precisa que haja vento sem parar A felicidade do pobre parece A grande ilusão do carnaval A gente trabalha o ano inteiro Por um momento de sonho Pra fazer a fantasia De rei ou de pirata ou jardineira Pra tudo se acabar na quarta-feira Tristeza não tem fim Felicidade sim A felicidade é como a gota De orvalho numa pétala de flor Brilha tranqüila Depois de leve oscila E cai como uma lágrima de amor A felicidade é uma coisa boa E tão delicada também Tem flores e amores De todas as cores Tem ninhos de passarinhos Tudo de bom ela tem E é por ela ser assim tão delicada Que eu trato dela sempre muito bem Tristeza não tem fim Felicidade sim A minha felicidade está sonhando Nos olhos da minha namorada É como esta noite, passando, passando Em busca da madrugada Falem baixo, por favor Pra que ela acorde alegre com o dia Oferecendo beijos de amor"

"Críticos são sujeitos que têm mau hálito no pensamento."

"O poeta aprendiz Ele era um menino Valente e caprino Um pequeno infante Sadio e grimpante. Anos tinha dez E asinhas nos pés Com chumbo e bodoque Era plic e ploc. O olhar verde-gaio Parecia um raio Para tangerina Pião ou menina. Seu corpo moreno Vivia correndo Pulava no escuro Não importa que muro E caía exato Como cai um gato. No diabolô Que bom jogador Bilboquê então Era plim e plão. Saltava de anjo Melhor que marmanjo E dava o mergulho Sem fazer barulho. No fundo do mar Sabia encontrar Estrelas, ouriços E até deixa-dissos. Às vezes nadava Um mundo de água E não era menino Por nada mofino Sendo que uma vez Embolou com três. Sua coleção De achados do chão Abundava em conchas Botões, coisas tronchas Seixos, caramujos Marulhantes, cujos Colocava ao ouvido Com ar entendido Rolhas, espoletas E malacachetas Cacos coloridos E bolas de vidro E dez pelo menos Camisas-de-vênus. Em gude de bilha Era maravilha E em bola de meia Jogando de meia – Direita ou de ponta Passava da conta De tanto driblar. Amava era amar. Amava sua ama Nos jogos de cama Amava as criadas Varrendo as escadas Amava as gurias Da rua, vadias Amava suas primas Levadas e opimas Amava suas tias De peles macias Amava as artistas Das cine-revistas Amava a mulher A mais não poder. Por isso fazia Seu grão de poesia E achava bonita A palavra escrita. Por isso sofria. Da melancolia De sonhar o poeta Que quem sabe um dia Poderia ser. Montevidéu, 02.11.1958 in Para viver um grande amor (crônicas e poemas) in Poesia completa e prosa: "A lua de Montevidéu" in Poesia completa e prosa: "Cancioneiro""

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