"É um campo verde e vasto É um campo verde e vasto, Sozinho sem saber, De vagos gados pasto, Sem águas a correr. Só campo, só sossego, Só solidão calada. Olho-o, e nada nego E não afirmo nada. Aqui em mim me exalço No meu fiel torpor. O bem é pouco e falso, O mal é erro e dor. Agir é não ter casa, Pensar é nada Ter. Aqui nem luzes (?) ou asa Nem razão para a haver. E um vago sono desce Só por não ter razão, E o mundo alheio esquece À vista e ao coração. Torpor que alastra e excede O campo e o gado e os ver. A alma nada pede E o corpo nada quer. Feliz sabor de nada, Inconsciência do mundo, Aqui sem porto ou estrada, Nem horizonte no fundo."
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Ver todas"Eu não sei senão amar-te, Nasci para te querer. Ó quem me dera beijar-te, E beijar-te até morrer."
"Gastei tudo que não tinha. Sou mais velho do que sou. A ilusão, que me mantinha, Só no palco era rainha: Despiu-se, e o reino acabou. (...) Que fiz de mim? Encontrei-me Quando estava já perdido. Impaciente deixei-me Como a um louco que teime No que lhe foi desmentido."
"Mas quem sente muito cala; Quem quer dizer quanto sente Fica sem alma, nem fala Fica só, inteiramente"
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