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"É um campo verde e vasto É um campo verde e vasto, Sozinho sem saber, De vagos gados pasto, Sem águas a correr. Só campo, só sossego, Só solidão calada. Olho-o, e nada nego E não afirmo nada. Aqui em mim me exalço No meu fiel torpor. O bem é pouco e falso, O mal é erro e dor. Agir é não ter casa, Pensar é nada Ter. Aqui nem luzes (?) ou asa Nem razão para a haver. E um vago sono desce Só por não ter razão, E o mundo alheio esquece À vista e ao coração. Torpor que alastra e excede O campo e o gado e os ver. A alma nada pede E o corpo nada quer. Feliz sabor de nada, Inconsciência do mundo, Aqui sem porto ou estrada, Nem horizonte no fundo."

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